Cheira a fraude eleitoral

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Renamo denuncia irregularidades nas eleições intercalares de Nampula

Cheira a fraude eleitoral

Maputo (Canalmoz) – De forma propositada ou não, a história repete-se. O mandatário do partido Renamo, André Magibire, apresentou, na passada sexta-feira à Comissão Nacional das Eleições (CNE), uma denúncia de um conjunto de irregularidades na preparação das eleições intercalares do dia 24 de Janeiro e solicitou a sua correcção.

As irregularidades são graves e incluem a presença de cadernos eleitorais de alguns distritos da província de Nampula, repetição de nomes, branqueamento de cadernos no seu formato electrónico, mapas sem elementos de autenticidade, designadamente, carimbos e assinaturas das autoridades competentes, e eliminação de colunas nos mesmos mapas.

A Renamo exige que tais irregularidades sejam corrigidas antes da campanha eleitoral. “No quadro do dever de colaboração previsto no artigo 14 da lei n.º 5/2013, de 22 de Fevereiro, vem requerer (…) se digne mandar corrigir tempestivamente as irregularidades (…) antes do início da campanha eleitoral, contando, para o efeito, com o envolvimento directo dos técnicos indicados pelos partidos políticos, nos termos da lei.”

A Renamo considera “espantosa a engenharia” dos erros constatados nos cadernos eleitorais informatizados, visto que estes são resultantes dos recenseamentos de 2013 e 2014.

Em 2013, realizou-se o recenseamento de actualização para as eleições municipais e, no ano seguinte 2014, realizou-se o recenseamento de raiz para as eleições presidenciais, legislativas e provinciais.

A Renamo considera que, visto que não foi feita nenhuma actualização do recenseamento depois de 2014, são estes mesmos cadernos que servirão para a eleição intercalar de Nampula no corrente mês. Tendo em conta que a única possibilidade seria a morte de alguns eleitores ou a deslocação de eleitores daquela autarquia, nunca o surgimento de novos eleitores e novos cadernos e novos postos, torna-se difícil perceber como é que o sistema informático, sem ser manipulado por alguma pessoa, poder ter desfeito deliberadamente alguns cadernos, ao ponto de fazê-los desaparecer, e introduzir outros cadernos e locais de votação estranhos ao recenseamento de raiz de 2014.

A Renamo considera que não pode acontecer que um computador ou um “software”, por si só, inscreva eleitores novos, ou retire cadernos inteiros ou elabore cadernos com um, três ou dez eleitores. A Renamo suspeita de alguma acção ou comportamento tendencioso de algum técnico ou de um grupo de técnicos, orientados por intenções suspeitas.

A Renamo diz que a CNE, a partir de agora, deve mostrar-se pronta para tomar medidas contra os infractores e, se for caso de demissões, que sejam feitas, como forma de “limpar o bom nome da instituição”. “Aqui não é de descartar que alguém dentro do STAE Central possa de uma forma discreta pretender prejudicar a eleição intercalar de Nampula, assumindo o seu lado partidário de forma ostensiva, preparando terreno para que um certo candidato possa beneficiar desta mal intencionada manobra eleitoral”. (Redacção)

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