Governo entra em propaganda de guerra e diz que os atacantes estão enfraquecidos

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Mocímboa da Praia

Governo entra em propaganda de guerra e diz que os atacantes estão enfraquecidos

Maputo (Canalmoz) – Desde que começaram os ataques, no dia 5 de Outubro de 2017, os seus autores actuaram em três distritos de Cabo Delgado, nomeadamente Mocímboa da Praia, Palma e Nangade. O ministro do Interior, Jaime Basílio Monteiro, nega que a Polícia esteja a perder o controlo e afirma que os terroristas estão enfraquecidos. Segundo  Basílio Monteiro, o único ataque digno desse nome foi o primeiro, o de 5 de Outubro. Afirma que os ataques que se seguiram são roubos realizados terroristas, para poderem sobreviver. Basílio Monteiro falava ao “Canalmoz” na terça-feira, na Ponta Vermelha, depois de um encontro do Presidente da República, Filipe Nyusi, com os embaixadores acreditados em Moçambique.

“Tecnicamente falando, o crime move-se a nível interno. O que aconteceu de grande envergadura foi no dia 5 de Outubro, até ao desalojamento dos atacantes em Mocímboa da Praia”, disse ao “Canalnoz” o ministro Interior. Quando lhe foi perguntado sobre se a Polícia não está a  perder o controlo da situação, tendo em conta o número de distritos atacados, o ministro respondeu que, depois de 5 de Outubro, o grupo refugiou-se em Palma e foi sendo enfraquecido e foi-se desdobrando em fuga. “O que aconteceu nos últimos ataques é que o grupo foi às populações roubar cabritos, roubar farinha. Foram a uma farmácia roubar medicamentos. Isso é roubar para se alimentar e não morrer a fome”, afirmou o ministro e acrescentou: “O que foi acontecendo não  foram ataques, foram roubos e assassinatos”.

Não se sabe até que ponto, as declarações do ministro do Interior podem ser levadas a sério, porque, quando os ataques começaram, o Governo tentou passar a imagem de uma situação controlada. Disse que se tratava de um grupo de moçambicanos que pretendiam desestabilizar a governação, mas o tempo e os acontecimentos encarregaram-se de desmentir a narrativa oficial. Depois, ficou-se a saber que, entre os atacantes há estrangeiros, na sua maioria da Tanzânia e que o grupo era maior do que o Governo sugeria.

“Número de detidos não deve assustar”

A Polícia deteve 300 pessoas, de Outubro até hoje. O número de detidos contribui para criar a ideia de que se está perante um grupo maior. Mas o ministro do Interior não considera dessa maneira. Basílio Monteiro diz que é um número normal de detidos e explica a sua perspectiva: “Quando são crimes cometidos em massa, esse número é normal, porque, se encontras dez pessoas associadas àquele crime cometido em massa, cada uma das pessoas vai falando de outras pessoas que estão envolvidas”. Em relação a estas circunstâncias, o ministro diz: “Tens que recolher tudo quanto as fontes disserem e esgotar a investigação. Isso ajuda a perceber as motivações, a origem e a organização inicial”. (André Mulungo)

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