Tudo vale para substituir Amurane em Nampula

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Tudo vale para substituir Amurane em Nampula

Maputo (Canalmoz) – Está ao rubro a campanha eleitoral para a eleição do presidente do Conselho Municipal da cidade de Nampula. É uma campanha que se tem mostrado pacífica e ordeira, mas com alguns actos pouco éticos por parte de algumas formações políticas e seus candidatos. Circularam, há dias, através das redes sociais, mensagens dando conta de que o partido Frelimo estava a tentar convencer, recorrendo à intimidação, aliciamentos por via de valores monetários e outras formas de pressão, a viúva de Mahumudo Amurane (assassinado em de Outubro de 2017 por desconhecidos, na entrada da sua residência em Nampula) para votar no candidato deste partido na eleição intercalar de 24 de Janeiro. No sábado, dia 13, o candidato deste partido dirigiu-se à residência da família Amurane para prestar pêsames, mas acabou pedindo votos.  A mulher de Mahamudo Amurane começou por protestar contra o que chamou de uso do nome e obra do seu falecido esposo, tendo de seguida declarado apoio incondicional ao candidato deste partido.  A declaração pública de apoio por parte da esposa de Amurane  foi antecedida de uma mensagem posta a circular nas redes sociais com assinatura de um dos filhos de Amurane (David de Mahamudo Amurane). Uma das pessoas que partilhou a mensagem é o presidente do Conselho Municipal de Quelimane, Manuel Araújo, no facebook.  “Eu David de Mahamudo Amurane agradecia que parassem de mencionar o nome do meu falecido pai para alcançar os vossos objectivos políticos, pois quando era vivo era ‘traidor, corrupt’, então não sejam hipócritas”, lê-se no “post” do filho do malogrado. A mensagem foi vista como um ataque ao Movimento Democrático de Moçambique que durante a campanha do seu candidato, Carlos Saíde, que tem feito referência ao nome e à obra do finado. Mahamudo Amurane  concorreu ao município de Nampula pelo MDM, era membro deste partido e fazia parte da Comissão Política do mesmo, pese embora a sua relação com a direcção do partido andasse algo azeda, nos seus últimos dias de vida.

Durante a visita do candidato da Frelimo, a esposa de Amuarane disse que a mensagem posta a circular nas redes sociais com a assinatura do filho espelha o sentimento da família Amurane. Os “pronunciamentos” da  viúva  de Amurane denunciam que  a mensagem do Filho, para além de procurar demarcar se  do MDM e do seu candidato, houve um encontro de concertação entre a família Amurane que deliberou  votar no candidato da Frelimo, ou seja, o encontro foi combinado e o candidato da Frelimo sabia da decisão da família Amurane.

A questão que se coloca aqui é de saber se  o apoio à Frelimo resulta da vontade da família ou de uma acção intimidatória por parte da Frelimo, conforme as mensagens postas a circular nas redes sociais. Se considerarmos que o apoio resulta da vontade da família não há nada a declarar. A família Amurane está a gozar de um direito de poder escolher livremente a quem apoiar e votar. Mas se o apoio tiver sido motivado por algum acto de intimidação, aliciamento ou outras formas de pressão, a Frelimo e o seu candidato estão a sair pior que os assassinos de Amurane. A Frelimo está a mostrar que não tem nem um pingo de sentimento pela família que ainda tem fresca na memória a forma bárbara como foi assassinado o seu ente querido, que até hoje não encontrou explicação por parte do Estado. Mais: a Frelimo está a coarctar  a liberdade da família Amurane de poder escolher no candidato que apresente um programa que corresponda às suas expectativas. Que fique  claro que não tenho nada contra o apoio da família Amurane ao candidato da Frelimo. Mas também não estou a favor de estratégias maquiavélicas do tipo não interessam os meios, mas os fins. Todos os candidatos precisam de entender que nenhum cidadão é obrigado a votar em si ou no seu partido. O voto é livre. (André Mulungo)

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