INAE já recolheu 163 quilos de carne suspeita de espalhar a epidemia de listeriose

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Maputo (Canalmoz) – A Inspecção Nacional de Actividades Económicas de Moçambique apreendeu, na segunda-feira, em estabelecimentos da Matola, 163 quilos de produtos derivados de carne, suspeitos de estarem contaminados com a bactéria da listeriose. A informação foi divulgada, ontem, por Rodrigo Chiure, delegado provincial da Inspecção Nacional de Actividades Económicas em Maputo, citado pela Rádio Moçambique.

“Temos brigadas no terreno, e o comando deu ordem para que, nas províncias, cativassem essas carnes”, disse Rodrigo Chiure à Rádio Moçambique

No primeiro dia das inspecções, a INAE visitou trinta e quatro estabelecimentos.

O Governo proibiu, desde segunda-feira, a importação de carnes frias da África do Sul, para evitar o surto de listeriose, e deu ordens para a recolha dos produtos desse tipo.

“Estamos a falar de ‘rachel’, salchichas preparadas a partir de frango. O que vamos fazer é trabalhar com as empresas que importam, para pararem com a importação”, disse, ontem, Florência Cipriano, do Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar, numa conferência de imprensa conjunta.

Os produtos estão espalhados por vários estabelecimentos comerciais. A Inspecção Nacional das Actividades Económicas já havia anunciado que ia recolhê-lhos.

“Estamos a trabalhar com todos os estabelecimentos, restaurantes, hotéis, tascas, para recolher os produtos. Estamos também a retirar todo aquele ‘polony’, ‘rachel’, que está embalado, mas que não tem nenhuma identificação de proveniência. Esse também é um producto de risco”, afirmou Ângela Uamusse, da INAE, na mesma conferência de imprensa.

Ainda não há registo de pessoas vítimas da epidemia  em Moçambique, mas o Ministério da Saúde diz que está atento ao fenómeno.

Na África do Sul, a epidemia já provocou 180 mortos. O epicentro da epidemia é uma cadeia de fornecimento de alimentos, sobretudo carnes frias, denominada “Enterprise” que, entretanto, já recebeu ordens para suspender a produção. Os seus revendedores receberam ordens para esvaziarem as prateleiras ou geleiras que contêm produtos daquele fornecedor. Dados do Instituto Nacional de Doenças Contagiosas, da África do Sul, indicam que, desde Janeiro de 2017, foram registados crca de 950 casos, o que torna a epidemia a maior jamais registada em todo o mundo. No domingo, o ministro da Saúde sul-africano, Aaron Motsoaledi, declarou que o Governo conseguiu finalmente encontrar a origem da epidemia. Numa conferência de imprensa transmitida a partir dos escritórios do Instituto Nacional de Doenças Contagiosas, em Johannesburg, Aaron Motsoaledi responsabilizou a “Enterprise”. “Podemos confirmar que a fonte da epidemia é uma unidade de produção alimentar, pertencente à empresa ‘Enterprise’, situada em Polokwane”, disse.

Moçambique está em alerta em relação a esta epidemia, porque os supermercados sul-africanos é que fornecem comida para Moçambique. Além disso, há moçambicanos residentes em Maputo que fazem as suas compras de comida directamente na África do Sul, em supermercados como, por exemplo, o “Pick’nPay”, que também anunciou, em comunicado, que já removeu das suas prateleiras os produtos da “Enterprise”.

O ministro afirmou que os produtos desta empresa de produção alimentar vão sair imediatamente do mercado sul-africano e aconselhou a população a evitar o consumo das embalagens que contêm carne pré-cozinhada. Contactada por vários órgãos de comunicação social sul-africanos, a “Enterprise” ainda não divulgou qualquer informação.

A doença é infecciosa e é transmitida com maior frequência aos seres humanos através de alimentos contaminados A listeriose é uma infecção bacteriana provocada pelo bacilo “listeria monocytogenes” e é uma das zoonoses (doenças transmitidas de animais para humanos) mais perigosas. Geralmente, causa febre, vómitos e diarreia e é tratada com antibióticos. Os indivíduos mais susceptíveis (idosos, recém-nascidos, mulheres grávidas, pacientes com o sistema imunitário enfraquecido) estão mais expostos às complicações, incluindo meningites e septicemias.

Em Moçambique, há supermercados abastecidos pela “Enterprise”, que ainda não se pronunciaram. (André Mulungo)

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