A teoria sobre as alas, que esconde um grupo homogéneo criminoso

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O caso do rapto e tortura contra Ericino de Salema, jornalista e jurista, na terça-feira (27 de Março), veio recordar aos mais incautos sobre a ausência de democracia num país em que são os próprios criminosos que estão a dirigi-lo. E num país nesses moldes a liberdade dos homens e mulheres vai até onde a boa vontade e longanimidade dos criminosos permitir. Daí para frente, das duas, uma: ou uma saraivada de balas, ou uma exortação física mais “leve”, que consiste em rapto e umas bastonadas com um ferro nos membros superiores e inferiores. Se o azarado acabar “coxo”, assume-se como uma parte mais completa da sensibilização.

Infelizmente, a maioria dos moçambicanos tem o condão de saltar de susto, quando essas coisas acontecem, quando, na verdade, é uma prática institucionalizada oficialmente, com formações regulares e reciclagem, cabimento orçamental e garantia de protecção do lixo humano que cuida da execução material desses crimes.

Hoje estamos chocados com a situação de Ericino de Salema, e, com alguma dose que é mais de sadismo do que de inocência, ainda acreditamos que a Polícia será capaz de nos trazer os responsáveis e submetê-los ao império da lei repressivamente competente. Escrevemos “sadismo” porque, com tanta evidência que nos é servida de que estes crimes são do Estado, ainda acreditamos que o criminoso poderá desencadear uma investigação independente que conduza a ele mesmo, e depois fará uma declaração negativa sobre si mesmo. Isso já não é inocência nem incúria perante a evidência. É uma linhagem de psicose, que fica por lhe extrair a gravidade.

E os elementos estão ali, avulsos e a título gratuito, para quem quer analisar o assunto e deixar de entrar na lógica de manada inocente.

Ontem também lamentámos Jaime Macuane. Com o mesmo requinte de barbaridade, foi raptado, espancado e largado. Também ficou coxo. No dia seguinte, a mesma narrativa, que o Estado serve aos cidadãos no caso de Ericino de Salema, também foi costurada e posta a vestir a inocência desses tais inocentes que acreditam nessas narrativas.

Jaime Macuane foi raptado pela Polícia, segundo ele próprio. Esses polícias informaram a sua missão, tal como tiveram a “gentiliza” e “cordialidade” de informar ao Ericino Salema por que motivo estavam a cometer aquele crime. Até hoje, não há pista por parte da Polícia que tinha de investigar os seus colegas polícias.

Num passado mais distante, foi a vez de Gilles Cistac. Teve azar agravado, se calhar por causa da sua cor, até porque é conhecido o nível de racismo que é destilado nos laboratórios que produzem essas receitas de brutalidade e selvajaria. Gilles Cistac morreu. Até aqui, a Polícia apenas veio dizer que os autores dos disparos são cidadãos de raça branca, claramente uma cartilha mal montada, para afastar de suspeitas o cartel que já sabia de antemão que seria acusado, porque só a eles interessa esse tipo de crimes de segmentação por cor.

Mas já outros morreram nesse expediente, entre os quais Jeremias Pondeca e José Manuel, que foram mortos à luz do dia, e o Estado ficou a aplaudir, como que quem diz “finalmente, tiveram o que mereciam”.

No caso do atentado contra Ericino de Salema, os detalhes foram muito bem minuciados. A legalidade com que se cometem esses crimes está no detalhe de como as coisas se processam, desde o início até às actuações coreográficas de redução de danos, que desenrolam imediatamente a seguir.

Provavelmente, os moçambicanos não sabem que a magistrada que foi enviada ao Hospital para, em nome do Ministério Público, seguir o caso, é, nada mais, nada menos, que Sheila Matavele, uma distinta senhorita que o sistema já usou para tentar silenciar Castel-Branco. É a mesma magistrada que exigiu em tribunal a condenação exemplar de Castel-Branco por ter cometido o crime de opinião. Se esta não for a mais perfeita coincidência de como este crime contra Ericino de Salema e contra a liberdade de expressão foi devidamente organizado, então falta-nos alguma coisa não muito difícil para começarmos todos a andar não com os pés, mas com os cabelos.

Tudo isto é um circo criminal devidamente alinhado e com autorização superior. E a cereja no topo do bolo é os criminosos constituírem mandatários para levarem mensagens de solidariedade, paz e conforto para a vítima e manifestar engajamento de grupo para “esclarecimento” do crime. Se esta gente quisesse, de facto, esclarecer esses crimes, o primeiro local que iriam visitar seria a Polícia ou a Procuradoria-Geral da República, para exigir trabalho. Mas como o objectivo não é esse, mas, sim, o de apresentar as suas faces à vítima, para convencê-la ainda mais de que é provável que o pior aconteça, a prova inequívoca é que vão ter com a vítima impunes. Acaso alguém já perguntou por que é que os membros da Frelimo e os seus propagandistas nunca são raptados? Por que é que eles nunca são baleados? Por que é que eles nunca são processados pelas opiniões que têm? Na nossa modesta opinião, é que o partido Frelimo conhece muito bem os autores desses actos, por isso comportam-se a rigor, para que na rifa não lhes saia o mal. Este é o momento de o partido Frelimo explicar aos moçambicanos quais são as estratégias que os seus membros e simpatizantes usam para que nunca sejam sequestrados, torturados e mortos. O partido Frelimo deve vir a público explicar aos moçambicanos quais são os mecanismos que usa para que, a partir do laboratório desses crimes selvagens, nunca sejam escolhidos eles como potenciais vítimas. Porque isso só acontece, regra geral, com os que dizem coisas que desagradam à Frelimo.

E aqui é bom que fique claro que essa conversa de “sectores radicais”, “sectores racistas”, “sectores criminosos” é mesmo uma grande conversa para nos toldar o discernimento. Se essas práticas de violência não fossem uma actuação aprovada e com cobertura política no seio do partido Frelimo, os autores já tinham sido apanhados.

Quando terminam as reuniões do partido Frelimo, ouvimos sempre os seus representantes dizerem que o partido saiu mais coeso e mais unido. O partido Frelimo nunca saiu fraco e dividido das suas magnas reuniões. Por inferência, isso quer dizer que os tais imaginários sectores racistas, sanguinários, boçais, selvagens e da mais inqualificável estirpe humana apresentaram também o seu manifesto e foi acolhido, e as suas actuações foram aprovadas. Em última análise, se o seu manifesto não foi censurado, mas, sim, foi fortificado, isso significa que passa a ser o manifesto da organização. Daí para frente, é só raptar, aleijar ou matar, que está garantida a impunidade. Não existem alas. É uma organização unitária e coesa.

O que os moçambicanos não podem fazer é cometer o erro de pensar que esta gente, um dia, ainda vai guiar-se por valores da humanidade. Da nossa parte, esta gente só merece algo que não esteja abaixo da fasquia do nosso desprezo colectivo, como resposta ao desprezo com que se inspiram para mandar raptar, espancar e assassinar os nossos irmãos. A luta é de todos nós. É a luta contra os criminosos. Ninguém deve eximir-se dessa responsabilidade. Temos de salvar Moçambique. (CanalMoz/Canal de Moçambique)

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