Mesmo depois das denúncias: Presidente da AMETRAMO diz que não conhece casos de  curandeiros que casam com crianças

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Maputo (Canalmoz) – Durante as celebrações da “Quinzena da Criança”, realizadas na semana passada, no Bairro “25 de Junho”, na cidade de Maputo, foram denunciados dois casos de casamentos prematuros. O primeiro envolveu um curandeiro que tinha cinquenta esposas, no distrito de Massinga, onde a maioria eram crianças, e outro caso é o de duas meninas que foram resgatadas na residência um curandeiro em Govuro, também na província de Inhambane.

No encontro, estava Fernando Mathe, presidente da Associação dos Médicos Tradicionais de Moçambique (AMETRAMO). Questionado sobre este assunto, afirmou: “O país é vasto e temos mais de sete mil membros. Existem zonas recônditas a que as mensagens podem não chegar. Uns podem saber e desobedecer. A AMETRAMO está em todas as províncias”.

 

“Não é um assunto espiritual”

O presidente da AMETRAMO diz que é anormal que um homem possa ter cinquenta esposas e diz que isso não é problema do curandeiro, como assunto espiritual, é um comportamento selvagem do homem.

“Não é normal um homem acumular cinquenta crianças como mulheres. Manter cinquenta crianças como esposas é chocante e desumano. Queremos desmantelar essa rede de criminosos. Um pai, quando entrega uma criança a um médico tradicional, o espírito não reconhece”, disse.

Fernando Mathe explicou que, antigamente, usava-se crianças como meio de troca porque não havia dinheiro.

“O curandeiro é pai, é avô. A AMETRAMO, desde a sua criação, veio abolir estas práticas. Trabalhamos com as comunidades para não pensarem que se pode ficar com uma filha”, disse. (Cláudio Saúte)

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