Oposição atípica

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Se a missão de qualquer oposição séria e digna é disputar o poder, exercê-lo e mantê-lo, a nossa oposição deve estar completamente equivocada e desorientada. Sempre dissemos que cabe à oposição tem todas as culpas pelos 43 anos consecutivos que o partido Frelimo leva no poder. Se nada for alterado na maneira de fazer política, no seio da oposição, esta será, pelo resto da sua existência uma simples oposição que se engana a si própria com discursos ilusionistas, aldrabando o povo cansado de ser oprimido por um regime corrupto.

A oposição não está interessada em ser poder. Tem pavor de ser Governo. Foge do poder como o diabo foge da cruz. Quando chega a época eleitoral, assistimos à oposição a contorcer-se com medo de governar o país, faz manobras intermináveis de dilaceração mútua a fim de se enfraquecerem um ao outro. Não há franqueza no seio da oposição. Os partidos da oposição não dialogam entre si, não trocam opiniões nem têm estratégia eficaz de como podem lutar contra o partido governamental. Cada um fica no seu canto, julgando-se “general” que a todos pode derrotar, num só golpe fatal de tipo shaolin.

A nossa oposição é difusa, amorfa e, algumas vezes, move-se sem vontade própria. Morde-se mutuamente e a vontade de fazer desaparecer o outro nunca falta. Sente realizada quando faz estucadas ao outro. Finge estar disponível para unir esforços na luta contra o mesmo adversário, porém, no fundo, está a colocar uma casca de banana a fim de fazer escorregar o outro. A luta que se verifica na oposição não é para “arrancar” o poder ao adversário, mas para manter o seu estatuto de “o maior partido da oposição”. Às claras, faz concertações enquanto, à noite, pisca o olho e chama para galgar montanhas. Isso é falta de honestidade e ausência de sinceridade.

Uma oposição inteligente desestabiliza o partido governamental, que é para lhe “arrancar” o poder. Todavia, não é isso que acontece com a nossa oposição. Morde-se, achincalha-se e define aquele que deveria ser seu parceiro como alvo a abater para, exactamente, manter a sua hegemonia. A supremacia política deve ser exercida em relação ao adversário comum e não sobre quem consigo esteja na mesma trincheira porque todos têm o mesmo opressor que, socorrendo-se dos esquadrões da morte mata membros da oposição. Agir de modo contrário é facilitar a vitória do regime que odiamos.

Em Moçambique, seria correcto que a oposição conjugasse esforços para que possa lograr vitória sobre o adversário comum. Incitar deserções de membros de outros partidos não parece que seja um exercício recomendável da luta política vitoriosa. A oposição não vencerá o partido no poder enquanto não tiver a consciência de que para lograr vitória, precisa de coordenar a estratégia. Política não é futebol que, neste tipo de desporto, as equipas sondam os melhores atletas de outros clubes para reforçar o seu plantel.

No Brasil, os partidos compram membros influentes de outros partidos para emigrarem. Moçambique não é Brasil. São dois países com duas realidades diferentes. A transpor para o lado de cá essas práticas, é fazer um tiro certeiro para os pés da própria oposição. Lemos argumentos que, em democracia, as pessoas podem emigrar, sem que assim o acharem. É verdade, mas não é o que está a acontecer. Há aliciamentos de quadros de um partido para outro a fim de o enfraquecer. O problema reside no aliciamento. Se é assim tão forte, por que não alicia membros da comissão política do partido no poder?

Nós não batemos palmas nem ovacionamos quando a oposição se inviabilizar mutuamente. Ficamos constrangidos por achar que isso retarda a mudança do regime. Antes pensávamos que era o partido governamental que não permitia que tenhamos uma oposição forte. Agora estamos a ver que a oposição, ela própria, não quer. Desmobiliza membros de outros partidos e tudo isso é feito para não se chegar ao poder e o partido no poder agradece pela generosidade.

Uma oposição atípica não chega ao poder. Não se chega ao poder por magia ou ilusionismo nem através de aliciamentos com dinheiro ou emprego em empreendimentos vários. Há imagens que ilustram alguns que se proclamam de “mais-mais” visitando empreendimentos económicos de outros quadrantes políticos, transmitindo o sinal de que estão à caça de dinheiro. A oposição não anda nem desanda. A oposição está atolada num lamaçal sem margem à vista. Não será, seguramente, desta vez que a oposição vai vencer a Frelimo.

Não é a Frelimo que impede a oposição de chegar ao poder, mas, a própria oposição. A Frelimo não precisa de comprar membros da oposição para garantir a sua permanência no poder. O partido no poder já tem instrumentos próprios para se manter no poder, tais como os órgãos eleitorais – STAE, CNE e o Conselho Constitucional; as FADM, PRM, em particular a perigosa FIR, e o SISE.

A Frelimo não precisa de ajuda de nenhum partido da oposição para vencer. Está conformada como oposição. Até se classificam como sendo oposição da primeira, segunda e da terceira classes. Esta é a característica da nossa oposição atípica, sem qualquer ambição de chegar ao poder. Está sempre  a fugir de ser poder e, muitas vezes, se atira ao chão quando todos pensam que a oposição vai, finalmente, Governo. Esta oposição é um fardo às costas do povo porque é difusa e confusa, ao mesmo tempo. (Edwin Hounnou)

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