Camarada Caidodine

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Caro Camarada Caidodine, não terminaria este ano sem lhe saudar efusivamente pela coragem com que condenou recentemente o seu arquirrival partido opositor. Em boa hora, a ameaça de recorrer à guerra, em protesto contra a fraude eleitoral, pelo adversário do seu partido não deixa de ser uma ameaça eficaz à hegemonia eleitoral do seu partido. Caro Camarada Manasse, você é, em boa hora, manifesta e demonstradamente um político formatado para reproduzir esse tipo de mensagem, que não colhe simpatia da parte do povo defraudado pelas vergonhosas e célebres fraudes do seu partido. Você não é só um aprendiz de feiticeiro como um farsante de tipo interprete que exibe um papel numa película de cinema ou peça de teatro, que terminado o episódio é atirado para o caixote roto de esquecimento.

Não é por acaso que a sua passagem pelos holofotes foi meteórica, mas breve. O seu partido é exímio em usar e jogar no lixo. Há muitos que infelizmente vagam pela lixeira da Pereira de Lago.

E acredito que depois de o terem descartado, você anda pelos cantos a condenar o seu partido pela manifesta brutalidade com que falseou estas e outras eleições. Conheço muitos camaradas como você que têm afinado pelo semelhante desencanto.

O Camarada, neste período desencanto, em que junta a sua voz ao coro do povo, devia proferir conferências esclarecedoras sobre a usurpação de municípios pelo seu partido. Prestaria melhor serviço à Nação criticando as reiteradas fraudes do seu partido, o culto à intransparência, com que vêm subvertendo a vontade popular, desde 1994.

Está claramente demonstrado que o enchimento de urnas, pelo seu partido, é também uma forma de violência, uma arma que atenta contra o estado de direito e de justiça social. A participação da Polícia nestes actos brutais revela o assalto às instituições de soberania, que defendem um regime.

Caro Camarada, confio que comece por condenar essas práticas vândalas e intransparentes do seu partido, que, antes de qualquer posicionamento radical da Renamo, ameaçam e perigam a paz.

No ano que começa dentro dos próximos dias espero que condene a Polícia, que semeia sangue e terror nos cidadãos eleitores, que nos remete a ambientes de guerra, estranho num país que se diz democrático.

Caro Camarada, não é verdade que haja comprometimento do seu partido com a construção do país, como não é verdade sobre o comprometimento de Sua Excia Presidente da República, no processo democrático, acaso fosse verdade, não haveria nenhum déficit do presidente na condenação das descaradas fraudes do vosso partido.

O Caro Camarada diz que o Presidente está à frente na busca de uma paz definitiva, mas torna-se contraditório, quando o seu partido ao mesmo tempo busca na fraude um meio de perpetuar-se no poder.

O Caro Camarada equivoca-se ao apelar para a necessidade de a Renamo fazer a sua parte, insinuando que a Renamo também deve roubar ao Estado, capturar as instituições, como é a reiterada cultura do seu partido, ao longo desses mais de quarenta anos de governação.

O Caro Camarada pede a comparticipação da Renamo, mas abstrai totalmente da forma como o seu partido está mancomunado com os esquemas, o que deixa o país em coma económico e democrático. Práticas que fazem pressupor e recear que não tenhamos estabilidade no próximo ano, que para os outros será ou tudo ou nada. Ou paz ou guerra. Ou violência ou transparência. Esta presunção baseia-se no agastamento relativamente às últimas eleições.

O Caro Camarada apela a coerente postura com aquilo que são os acordos em curso para o estabelecimento da paz, enquanto denotadamente o seu partido mostra-se coerente na subversão das regras democráticas e do respeito pelos valores de vida humana, justiça e reconciliação nacional. Até o Caro Camarada saberá por certo como culpou-se a Renamo de uma dívida oculta, de que todos sabemos o principal responsável. Era o tempo de usar a sua coragem e retratar o seu partido como a culpada do atraso social, económico e político, que nos coloca na cauda, no ranking das nações empobrecidas pelos libertadores que acorrentam o povo.

Não se esqueça de que o factor Renamo é o efeito e causa das atrocidades do seu partido, a quem o Caro Camarada devia apontar o dedo pela desonestidade e miséria com que sujeita o povo, porque não há pior ilação do que o termos um colonialismo interno mais atroz, mais desumano, do que o anterior.

Já agora, Caro Camarada, fosse você e o seu partido pela democracia, paz e reconciliação, começavam ambos por retratar-se da vossa conexão com a teia criminosa da CNE, do STAE e do Conselho Constitucional.

Caro Camarada, se você e o seu partido são de facto pelo desenvolvimento e participação coerente de todos os moçambicanos no processo democrático, é lamentável e de certo modo esquisito que têm muita certeza na afronta dirigida à Renamo, mas muita reticência e equidistância quanto à imputação de milhões de dólares, que deixa o país em coma e numa espiral de subida de onda de criminalidade, a que o seu partido actua como encobridor, em prejuízo do cidadão comum, que há muito deixou de servir.

Por último, não condeneis os outros por aquilo que vós sabeis que cometeis abertamente, à luz do dia. O ladrão assume o seu pudor roubando na calada da noite, mas o seu partido despudorado fá-lo à luz do dia. Ao que chegámos! Donde viestes e em que estais. Há um fosso enorme. É terrível como se pretende educar as novas gerações, com práticas morais muito baixas. (Por Adelino Timóteo)

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