Última Hora : Morreu Andre Hanekom, o bode expiatório dos ataque em Cabo Delgado

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Maputo (Canalmoz) – Acabou por morrer Andre Hanekom, o empresário sul-africano acusado pela Justiça moçambicana, sem provas concretas, de ser o cérebro dos ataques em Cabo Delgado. Tal como o Canal de Moçambique havia avançado Hanekom estava em coma num hospital de Pemba, desde o passado fim-de-semana e os familiares suspeitam que tenha sido envenenado. Andre Hanekom encontrava-se desaparecido desde Outubro do ano passado.

Mais tarde, ficou-se a saber que estava num quartel em Mueda. O “Canal de Moçambique” sabe que, na semana passada (na segunda-feira ou na terça-feira), foi transferido para uma cadeia em Pemba, por ordens do juiz que tem o seu processo. No passado fim-de-semana, Andre Hanekom sentiu-se mal na cela, começou a espumar e depois ficou inconsciente. Foi levado para o hospital, onde, até segunda-feira, se encontrava em coma. Não tinha direito à visita.

A Polícia estava  a tentar gerir o assunto de forma a que não se tornasse  conhecido publicamente o seu estado de saúde, derivada da falta de assistência médica.  Segundo as nossas fontes, a Francis Hanekom estava com sinais visíveis de preocupação. Na semana passada a sua esposa foi vista a entrar no hospital.

O caso de Andre Hanekom remonta a 1 de Agosto de 2018, quando foi baleado e depois raptado por desconhecidos em Palma, que mais tarde veio se saber que agentes das Forças de Defesa e Segurança. Na altura, testemunhas disseram que os raptores vestiam fardamento militar. Pouco tempo depois, apareceu num hospital em Pemba, supostamente resgatado pela Polícia, mas já acusado de ser chefe dos terroristas que promovem ataques em Cabo Delgado.

O assunto do sequestro nunca mais foi falado. Andre Hanekom ficou privado de liberdade até que, em Outubro do ano passado, uma juíza de Palma concedeu liberdade provisória, mediante pagamento caução. Mas quando a esposa de Andre Hanekom foi à cadeia, descobriu que o marido não estava lá, e ninguém sabia dizer para onde ele foi. Pensa-se que Andre Hanekom tenha sido tirado clandestinamente pela Polícia para o quartel em Mueda.

No dia 24 de Dezembro, Andre Hanekom foi formalmente acusado pela Procuradoria Distrital de Palma de ser o cérebro dos ataques que, desde 5 de Outubro de 2017, mataram cerca de 100 pessoas, destruíram várias infra-estruturas e originaram muitos deslocados para dentro e fora do país.

A acusação, a roçar o absurdo, com n. o 227/2018, de 24 de Dezembro, indica que  Andre Hanekom teve o papel de “financiador, logístico e coordenador das acções criminosas”. Para sustentar a acusação, a Procuradoria diz: “No dia 6 de Novembro de 2018, foram encontrados diversos bens e instrumentos de crime na sua casa em Palma, designadamente, dois frascos contendo pólvora, catanas, arcos e flechas, 12 foguetes, sendo armas proibidas”.

A acusação indica também que há uma confissão de mais dois co-arguidos no mesmo processo, com o n. o  356/2/P/2018, que afirmam que viram Andre Hanekom numa mata em Pundanhar, com um saco, e supõem que estaria a distribuir algo aos homens armados que têm realizado ataques em Cabo Delgado. Os outros arguidos no mesmo processo são : Moisés Elias Benjamim e Assiri Muemede (moçambicanos) e Chafim Mussa e Adamu Nhaungwa Yangue (tanzanianos).

Dias depois de ter sido tornada pública a acusação, a esposa de Andre Hanekom publicou um texto no Facebook dizendo  que o material apreendido pela Polícia é para uso caseiro. Estranho é o facto de Andre Hanekom ter estado detido desde Agosto de 2018 e só em Novembro do mesmo ano (cinco meses depois) a Polícia tenha recolhido o material.

“Que absurdo. A Polícia confiscou material normal de uso caseiro e usou como prova de que Andre é terrorista”, escreveu, na altura, Francis Hanekom, na sua conta pessoal no Facebook. “Levaram catanas? Toda a casa em Moçambique tem uma ou duas catanas usadas para várias tarefas caseiras.” É imprescindível uma catana em qualquer casa organizada, sobretudo numa zona como aquela em que está a residência da família Hanekom. Segundo a acusação, Andre Hanekom pagava salários aos homens armados, no valor de 10.000,00 meticais por mês.

Sobre o assunto, Francis Hanekom afirma que a Polícia teve acesso a dados referentes ao montante do salário do “único funcionário” que trabalha para o casal. “Eles encontraram flechas. Aconselho-vos a não comprar peças de arte local para a vossa casa”, escreve Francis Hanekom e acrescenta:  “Há quarto anos cometi um erro de comprar arcos e flechas”.

O embaixador da África do Sul em Moçambique esteve recentemente em Cabo Delgado para procurar saber mais sobre o assunto. Não se sabe se tinha conhecimento do estado de saúde de Andre Hanekom. Andre Hanekom e sua esposa tem um negócio marítimo em Palma. A sua esposa diz que tudo não passa de um plano de gente influente, para lhe arrancar a propriedade. (Canal de Moçambique/Canalmoz)

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