Ministro “zero à esquerda” em imparável ascensão

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Beira (Canalmoz) – Caríssimo Todd Chapman,

A 28 de Janeiro de 2010, referiste-te a Tchetcho  como “um ‘zero à esquerda’, de trinta anos, sem experiência em negócios ou título universitário, mas com elevada lealdade a Guebuza”. Cerca de vinte anos depois o que é feito daquele pivete, daquele “zero à esquerda” que chegou surpreendente a ministro, jogando igual lealdade a Nyusi?

Discute-se nos bastidores que ele estudou na Universidade de Witswatersrand, na África do Sul, onde nenhum contemporâneo seu que por lá passou reconhece tê-lo visto na carteira. Estranhamento, nem os serventes lembram-se de o terem visto. Ainda assim, aquele a quem chamaste “zero à esquerda” é surpreendente fabricador de prodígios, até aqui sem precedente, à frente de um pelouro onde acumula e concilia diversas posições: terra, mar, ambiente e desenvolvimento rural.

Caríssimo Chapman,

Tchetcho é uma potência governamental, de negócios e política. Veja-se, com tais posições acumuladas, a zona centro do país virou mar, e Tchetcho, grão a grão, enche o papo, aí aparece na comunicação social, não obstante o teres retratado como figura de perfil baixo. É muito fácil ser ministro neste país. Requisito básico: ser “zero à esquerda”. Um “zero à esquerda” também pode ser chefe do gabinete eleitoral do partido dos camaradas.

Tchetcho acumula a de ministro do ar porque voa de helicóptero para as zonas afectadas. Está em todas, esse super-ministro. Diz-se mesmo à boca cheia, acumula as pastas de governador de Sofala, Manica e Tete. É presidente-sombra do município da Beira, porque hipoteticamente coordena as acções das instituições multi-sectoriais do Estado, organismos de apoio, etc., etc..

Estrategicamente, a posição de Tchetcho garante o abocanhamento de toda a ajuda canalizada para esta zona do país, onde a maioria diz que nada recebe. Ou recebem vítimas do ciclone com cartão do partido dos camaradas. A nós outros, vítimas do ciclone, que aguardamos em nossas casas apoios, a sorte não nos sorri. Vê só, os grande-grande dos camaradas estão a receber lonas para cobrir os tectos das casas, Zé Povinho, Chapman, nem uma tampa de óleo, nem uma colher de açúcar, nada de nada.

Com este trabalho inglório há quem afirma que a visibilidade conferida a Tchetcho visa promovê-lo. Alguns já acusam o diabo de ter fabricado calamidades para demonstrar quem é quem manda no Presidente da República. E não é para menos: ele que junta na sua pasta ministerial a terra, o ar, o ambiente e o mar, agora é super-governador da zona centro. Uma posição nunca havida antes.

Caríssimo Chapman,

Assim,  não ilude que o seu “zero à esquerda” continue a subir e a surpreender os seus detractores. Não me estranha de jeito nenhum que apesar da sua alegada prova, o nosso Tchetcho conseguiu sem vocação reconhecida passar de PCA do BCI e de empresas fantasmas a ministro.

Depois de gerir negócios e interesses de Guebuza através de várias empresas de fachada, como a Insetec, Tchetcho aperfeiçoou as suas habilidades, e, quando se cria caído em desgraça depois de delatado por Maria Inês Moiane, esse malabarista por excelência continua imparável. Para já reina uma incógnita sobre o novo voo deste que, apesar de “zero à esquerda” e de não ter nenhum título universitário e de negócio, é visto como um provável futuro primeiro-ministro.

O génio de Tchetcho é desconhecido de muitos, mas assimila a rapidez e flexibilidade na mudança de direcção. Quando Guebuza estava em alta, este galáctico dos Camaradas emparceirava com Salimo Abdullah (“Intelec”) na gestão de empresas fantasmas do antigo estadista. Mas uma coisa Tchetcho aprendeu muito bem: estar do lado certo. Não precisa título universitário para tanto. Se Tchetcho alguma vez tirou grau universitário, aprendeu a ser expedito, a driblar e a marcar golos, a ganhar muito dinheiro em comissões. E não se exclua, deste negócio de donativos não lhe faltarão comissões, pois não é de graça que Tchetcho queima as calças no trono que o amigo Presidente lhe ofereceu, para rir e brincar um pouco por essas bandas do Índico. (Adelino Timóteo)

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