Comandante-geral da PRM é um charlatão

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O Comandante-Geral da Polícia da República de Moçambique, Bernardino Rafael, tem-se multiplicado em afirmações vagas, difusas e confusas, por onde tem passado, demonstrando, desse modo, que não tem ideias concretas de como deve organizar e dirigir a corporação. Na semana passada, Rafael disse, de boca bem cheia para quem o quisesse ouvir, que os garimpeiros ilegais são os financiadores do grupo terrorista Al-Shabab que decapitam as populações indefesas, na província de Cabo Delgado.

Esta afirmação é perigosa  para ser solta da boca de um alto dirigente da polícia ou de qualquer instituição relevante, quando não acompanhada por provas concludentes. Saliente-se que não é a primeira vez que o comandante Rafael diz uma coisa fantasmagórica desse calibre, o que nos permite concluir que ele, primeiro, afirma, e só muito depois, pensa. Isso é  muito mau para qualquer indivíduo e mais grave ainda quando se trata de um dirigente que tem sob sua direcção homens  com armas.

Um garimpeiro ilegal é um homem simples que luta, sol a sol, pela sua sobrevivência e da sua família. Mal consegue alimentar-se a si próprio e a sua família e esse homem não pode ser acusado, de ânimo leve, de estar a financiar o terrorismo. Por vezes, recebemos imagens em que garimpeiros são sujeitos a maus tratos, chamboqueados e submetidos a torturas cruéis que deixam qualquer pessoa ferida nos seus mais profundos sentimentos. As imagens que passam nas redes sociais têm levantado protestos em todo o mundo devido à sua crueldade e quando o comandante Rafael diz que esses mesmos homens são os que financiam os bandidos e assassinos do Al-Shabab, está a insultar a dignidade dos seus alvos. Rafael demonstra, de maneira inequívoca, que está confuso, não tem planos e não conhece contra quem os seus polícias estão a combater. Um comandante que procura entreter as suas tropas com afirmações ridículas demonstra que é incompetente e incapaz de vencer uma batalha.

Vimos o mesmo comandante a passar de província em província para alertar os seus comandos sobre como a polícia se devia comportar durante as eleições autárquicas. E qual foi o resultado dessa campanha? A polícia, em muitas assembleias de voto, roubou as urnas para o comité da Frelimo a fim de serem entulhadas de votos falsos e, assim, mudar o sentido de voto. Como isso não bastasse, Rafael está,  de novo, engajado numa campanha de desinformação sobre os acontecimentos em Cabo Delgado. Não sabe definir, de maneira correcta, quem são esses que andam a decapitar os nossos compatriotas, não diz a sua proveniência nem o que pretendem atingir,  desde o dia 5 de Outubro de 2017, quando fizeram o primeiro ataque contra a Vila da Mocímboa da Praia. Passam quase 19 meses que a polícia não diz quem são e isso revela uma grande incompetência. O comandante Rafael deveria mostrar que está preocupado com a incompetência da sua corporação por não saber dizer aos moçambicanos quem são esses bandidos e porquê andam a degolar camponeses pacíficos.

O comandante Rafael, se não está  à altura de assumir a sua responsabilidade, então, que coloque o seu cargo à disposição, porque o povo quer sossego. O terrorismo não se combate com adivinhos nem com charlatães que procuram enganar as pessoas com magia. Ao invés de andar a passear pelas províncias, a curtir o nosso dinheiro, Rafael deveria procurar arrumar um alto comando que desenhe estratégias de luta contra os bandidos. Deve aprender a falar menos e a trabalhar mais. Agora, Rafael parece mais comissário político que um comandante operacional. Por gafes que o comandante Rafael anda a cometer, podemos concluir que está a falhar toda a hierarquia da polícia, porque não se pode  compreender como uma corporação dotada de serviços de inteligência e contra-inteligência se dá ao prazer de dizer baboseiras das mais ridículas!

Os bandidos são combatidos por acções e não por discursos, que o comandante Rafael tanto adora. Ele adora fazer discursos, muitos dos quais são desenquadrados e descontextualizados. Saber comandar é uma arte e existem escolas de todos os níveis que ensinam esse engenho, por isso o comandante Rafael deveria ser mais sério e  mais contido nos seus pronunciamentos. A voz dos grandes comandantes não se ouve todos os dias como se fosse a voz de uma rola. A voz de um general faz tremer a corporação, que não é o nosso caso em que, sempre que sintonizamos a nossa rádio, ouvimos o comandante Rafael a dizer besteiras, correndo o risco de ser tomado como pouco sério ou de um mero fala-barato que troca os termos das suas afirmações pouco sérias. Rafael tem de mudar a sua postura e a sua maneira de conceber a luta contra os bandidos, se é que ainda deseja que seja respeitado pelas comunidades que defende.

Este fenómeno de fala-barato não é  novo na PRM ao mais alto nível do seu comando. O anterior comandante, General Khalau, era um especialista em falar de qualquer maneira e chegou a atribuir o nome do seu cargo a pessoas, parecendo demitir-se das suas funções e Rafael segue-lhe os passos. O que está errado no comando da PRM? Parece que a cadeira de comandante-geral está enfeitiçada. Quem nela se sentar fica transtornado, anda aos zig-zag e sem norte. O que faz respeitar não são as patentes que se leva aos ombros, mas o bom desempenho e a paz que traz para os cidadãos. Se o comandante Rafael conseguir esclarecer os crimes que ocorrem na nossa sociedade, seguramente será respeitado. Se continuar a dizer asneiras, as pessoas vão se rir  dele tal como se ri de um palhaço.

Não nos esquecemos de que foi a sua afirmação de que alguns com “laptop” a tiracolo colaboram com o inimigo, referindo-se a jornalistas que injusta e ilegalmente se encontravam presos em Cabo Delgado. As palavras são como fogo – ardem, queimam as mãos e a língua desmazelada. (Edwin Hounnou)

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