Leitinho para bebés chorões

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Beira (Canalmoz) – A semana passada foi o cume de intervenções dos bebés chorões da creche frelimista. Os bebés chorões têm vindo a manifestar na rede social dominante a despeito do meu livro “Dhlakama A Longa Luta em Defesa da Democracia”, lançado a 6 de Maio passado, na Beira. Seria de todo anormal se estas crias deixassem de chorar. Não vou responder com pusilanimidade aos chorões, pelo facto de os coitados seres i) serem produto de atrofiamento psicológico que dura há cerca de quarenta e cinco anos; ii) são uma “intelectualidade” (?) que (re)conhece os feitos de Dhlakama, mas odeia-o pelas suas origens; iii) são bebés que não cresceram por adeptos de um imaginário fantasiado, do qual não conseguem sair; iv) são adeptos do politicamente correcto, porque disso fazem o seu ganha-pão e não podem sobreviver de forma independente e digna como o autor destas linhas.

É preciso delimitar perfeitamente essa classe de bebés chorões, pois foram  adestrados pelo establishment para o tipo de choraminguices com que têm publicamente pautado, tentando torpedear, manipular, dar a volta, ao óbvio, naturalmente porque a Resistência é o inverso daquilo que os seus cátedras do Centro de Estudos Africanos, com Sérgio Vieira e Aquino de Bragança, à cabeça, lhes ensinaram a reproduzir. Cerca de quarenta e cinco anos não podíamos esperar o melhor de alguns desses infelizes que se dizem professores de História, de Sociologia, por razão primeira de que não sabem pensar dentro dos cânones científicos, ou, se o fazem, traem a ciência, deixando sobrevir a sua paixão indefectível e indisfarçável: o partido Frelimo, com uma clara pátina de tribalismo e nacionalismo autoritário, à mistura. Não conseguem esses bebés chorões se permitirem ao corte do cordão umbilical dos seus amos, daí agem com total irresponsabilidade intelectual na exposição das suas anacrónicas posições (derrotadas pelo humilhante desfecho da guerra civil, à mesa de negociações, depois de tanto terem arvorado a supremacia das suas forças e aludido aos opositores como fantoches de Douglas Ian Smith e Ken Flower[1] – o que serve apenas para a alegria e consolação à mentira por eles fundada, porquanto elementos sociológicos vão muito além desta teoria).

É preciso dizer, aqui, que esta classe de bebés chorões arregimentada para choraminguices não tem o compromisso com a verdade, nem com a ciência, conhecidos que vivem nas dependências e pendentes de chuchas (leia-se cargos) que os seus amos, de que são fervorosos apaixonados, vez a vez, lhes vão  proporcionando/oferecendo. Estes bebés chorões, caixas de ressonâncias, identificam-se perfeitamente quer na linguagem, quer no pensamento, com as células do partido em que militam, por isso me reservo de ser pusilânime e severo com eles. Todavia a minha generosidade e benevolência, diria até piedade, não significa que deveria continuar calado enquanto tentam-me violentar verbalmente, sem trazer à liça aspectos que abalem o conteúdo científico do meu livro, limitando-se apenas a pequenas tentativas “desconseguidas” de debitar pequenas vinganças pessoais. Desde logo são tentativas de beliscar-me, arranhar-me, porque não têm surtido literalmente nenhum efeito, porque felizmente grande é a minha força psicológica, as ferramentas de que disponho são, neste momento, razoáveis para contestar, responder aos bebés, aos quais lhes assiste a livre expressão, neste caso o direito de chorar, espernearem-se como quiserem.

Os bebés chorões, porque vêem-se impossibilitados de renunciar às posições que defendem (o CEA da UEM é o berçário destes chorões preparados para servir de muralha aos seus amos no aspecto da justificação da natureza da guerra civil, com toda a teocracia que impede a essas criaturas umbilicalmente ligadas a pensar fora dos outros cânones e eixos), senão a iludir a verdade no subjectivo. Todavia, é um facto irrebatível, irrenunciável, inabalável, que os bebés chorões, de tão amordaçados pela chucha que lhes oferecem na creche, têm vergonha de admitir que a ciência que abraçaram é como o seguro que morreu de velho, fruto do que a neurociência chama cérebros entorpecidos, pois, depois de muitos anos, esses “borregos mentirosos”, que repetiram falsidades sobre as origens da guerra civil em Moçambique, desqualificaram os lutadores da democracia e liberdade contra o marxismo-leninismo, esses mentirosos, deformados pela manipulação informativa dos Vieiras e Aquinos, com teses “brilhantes” que acabarão no caixote roto da história, encontram num livro alternativo motivos para ditar regras e manifestar juízos fora da casualidade adequada, mas que tendem a relevar sobre a imperatividade da reactivação das comissões de censura, a partir de alegações tais como “devem” ser os “historiadores” (Macamito dixit) apenas a escrever livros de natureza como o referido – atitude androcêntrica que aparta os sábios ou conhecedores ou ainda lúcidos, o que nego, pois nem a Bíblia nem o Alcorão foram escrita por historiadores). Reparem como esse “devem” é produto da escola totalitarista, mas ainda porque o mesmo (Macamito) confessa que não leu o livro. Há neste forçado exercício do “deve ser” uma clara atitude e acção, inadmissível, de silenciar o autor do livro, mais porque esse constrói uma verdade histórica conhecida sobre a invasão fortificada dos guerreiros de Gungunhana à zona centro do país e os seus actos impiedosos junto da população autóctone. Pararam no tempo.

Não deverei dar muita manga nem atenção aos bebés chorões, porque violam liminarmente a ética académica e intelectual, consistente em, de antes de tudo, de forma mais completa possível, ler o livro que surgiu na circunstância de uma opinião de Lázaro Mabunda, que o recomendava aos seus amigos e seguidores, segundo ele, pelo interesse de que se reveste lê-lo.

Devia indignar-me com a posição autoritária de Macamito (com as suas vãs regras abstractas e subjectivas de justiça), mas prefiro  gargalhar até rebolar no chão, porque, com os bebés chorões, aos quais se lhes deve verificar as chuchas quando choram (pode ser que estejam furadas), é preciso ser assim: paciente, meigo e complacente. Resulta interessante a dualidade de critérios que Macamito pretende impor. Ele acérrimo e assumido adepto de Tchembene nunca se pronunciou nos mesmos termos quando o amigo Matusse escreveu uma obra “bajuladora” a Tchembene, nem quando Chissano escreveu a sua biografia, nem mesmo quando o alado Jacinto Veloso o fez, omitindo o aterro sobre M’telela e os campos de reeducação.

Não fecharei este artigo sem antes dizer que o apelo de Macamito para que a escrita deste tipo inquietante, rebelde obra fora da alçada seja limitado àqueles que se mostram-se recalcitrantes com “sangue-frio” em relação aos acontecimentos que nortearam os primeiros anos da independência é revelador de falta de coerência e elogio ao processo de amnésia colectiva que tem sido imposta de forma criminosa (“a não acção é uma acção”) aos que desejam estudar e compreender os fenómenos sociais e políticos que nortearam as origens da guerra de 16 anos e o seu desenvolvimento. A culpa do egoísmo colectivo ou individual dos “historiadores” não pode tomar-se como um assunto controvertido, porque a escrita é um acto solitário e independente, nunca exclusivo dos bebés submissos e chorões da creche frelimista como Macamito.

A penosa depressão que assiste aos bebés chorões resulta de mentes que foram desmontadas nas escolas, universidades, redacções de jornais à moda autoritária, exactamente para os seus “intelectuais” não pensarem fora dos cânones.

Devo pontualizar algo. Sou jornalista, escritor e com uma formação em direito. Tenho também uma formação em docência. Caros leitores, nunca me negarei a realizar determinadas acções que o meu trabalho me impõe, a constituição me permite. Caso eu concordar com Macamito terei o mesmo problema de submissão que afecta os bebés chorões, como o caso que pretende poluir a atmosfera, antes de ler o livro, numa cacofonia conhecida já desde há 16 anos. Haveria de ter renunciado aos meus princípios, o que a minha educação, consciência e pura cidadania cívica apartidária me ditam, pois sobrepesando que os que raciocinam com a teocracia puritana pretendem, desde logo, amputar a minha voz, exercer sobre mim o controlo e a vigilância. O que, do meu lado, é inaceitável[2].

Portanto, como resulta deste esclarecimento, uma perda de tempo dar relevância à esquizofrenia dos galácticos escribas que sempre foram demasiado vacilantes a trazer à luz aspectos dos quarenta e cinco anos que marcaram este país, como também se mostram incomplacentes com quem os traz à luz, e por isso, tem este leitinho, cresçam e apareçam. Daqui em diante abstenho-me de responder a estes infants de costumes oportunistas, leais a facilidades tropicais. Ou, se me obrigarem a tanto, nada me obstará de reaparecer para distribuir outra classe de guloseimas como chupa-chupas, bombons e sorvetes a estes bebés chorões e carentes. A estes carentes, “lustrosos” professores e cátedras da UEM, poderei voltar com alguma caridade e também com novos subsídios.

[1] Depois da independência do Zimbabwe, Abril de 1980, Samora Machel convenceu Robert Mugabe a manter o responsável da CIO da Rodésia como novo director da contra-inteligência zimbabweana, para acabar com a RNM, o que Flower, que se alvorara criador da RNM, nunca conseguira, até passar à disponibilidade, por isso a teoria de Flower estava em consonância com uma estratégia de acabar com a RNM. O que em direito enquadra-se no que se chama declarações não sérias, encaixadas por chorões como o meu amigo chorão da Rua 19. Flower era especialista em contra-informação e montar bluffs como o que sucedeu ainda com relatórios “Top secrets” (Top Secret, Director General, CIO, April 1974) que forjou dando por consumado eventos futuros em 1975, 1976, 1977, 1978 e 1979 dentro de Moçambique, com uma subtilidade tal que iludira membros do Governo de Moçambique, porquanto este, com recurso aos mesmos, viria a ser humilhado em 1991, no decurso de uma audiência num Tribunal de Londres, cuja sentença deliberou que o conflito de Moçambique tinha a natureza da guerra civil e não de desestabilização. As datas e contextos servem para iluminar as zonas claras e escuras. O contexto de Flower ter-se passado para outro lado retira qualquer relevância e idoneidade às suas declarações, porque é o que Flower sabia mais fazer: mentir deliberadamente, abstraindo da casualidade adequada, que só um bebé que não pensa dois dedos da testa pode crer um “mabuno” de tipo Flower pode criar um grupo armado e desde lá do conforto das suas farmas mobilizar uma guerra civil de escala nacional, sem nunca dar voz de comando, sem nunca entrar directamente envolvido no teatro das operações internas, no Quartel-General, da Gorongosa, sem nunca ter sido ele a motivar André Matsangaíce a evadir-se com mais de 350 presos e buscar um santuário, para começar a verdadeira insurreição.

 

[2] En una democracia liberal es inconcebible que prohibir que los individuos examinen su pasado, que aspiren a establecer lo que consideren que es la verdad, que relacionen sus diferentes experiencias y por lo tanto los elementos constitutivos de su consciencia”, Tzevetan Todorov, pp. 94-95, Leer y vivir, Galaxia Gutenberg, Barcelona, 2018. (Adelino Timóteo)

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