#Movimento# Nyusi não!

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Beira (Canalmoz) É só ver os banhos de multidões que acompanham alguns dos candidatos partidários da oposição às próximas eleições. Há um movimento silencioso e contestatário (no bom sentido), para mandar às favas o Nyusi, do qual Rosário Fernandes é apenas um rosto visível. Este movimento nem sequer tem raízes na antiga insurgência, muito menos em qualquer partido. É um movimento que exprime a saturação generalizada dos moçambicanos a um sistema que resiste a mudanças e a uma democracia plena e efectiva. Este movimento está nos antípodas de uma resistência que demonstra que não teme e não tem nada a perder.

Estimulados pelos números inflacionados de Gaza (300 mil eleitores fantasmas para o votarem), pela CNE dominada pela Frelimo, e que se impõe com atrocidades, este movimento, ainda sem domicílio, é uma autêntica corrente nas redes sociais, e posiciona-se, ainda que sem ataques directos, transformando Nyusi numa figura de comiseração.

Um dos textos mais reproduzidos e que ilumina esse movimento resume-se a uma entrevista de Severino Ngoenha ao Canal de Moçambique, coisa exactamente de um mês, em que este afirmava categoricamente: “Com Nyusi estamos em perigo”.

O envolvimento de Nyusi no “caso dívidas ocultas”, sentido de desilusão e cumplicidade com a degradação de valores e nível de vida do povo, é um facto de que os moçambicanos precisam de se aliviar. Nyusi, parafraseando Daviz Simango (Savana, 30/09/2016), representa o rosto do “desacreditado Estado” moçambicano.

Hermenegildo Gamito, um fanático do regime, junto de outros membros do colectivo de juízes do Conselho Constitucional, em Junho passado, declararam nulidade das referidas dívidas, num claro distanciar do partido dirigido por Nyusi, que as aprovou em sede da Assembleia da República.

A inabitabilidade e imobilismo de Nyusi de lidar com este processo funda-se com a promoção do procurador que o investigava para presidente do Conselho Constitucional. Uma evidência de que tem o rabo à seringa.

Gamito, apesar de ter sido abertamente servil ao regime, deu sinal claro de que estava cansado de ser asfalto do partido Frelimo e bateu com a porta. A mesma postura é-nos demonstrada agora por Rosário Fernandes. Outros já o fizeram. Francisco Masquil é um caso dos que iniciaram esta travessia que pugna pelo fim de uma ditadura.

Este quadro demonstra que a panela da Frelimo está saturada e a tampa vai saltando com pressão e vão se escapando os mais audazes e lúcidos, que preferem o fim da ditadura a serem considerados “bom rapaz”, “boa menina”.

O nível de maturidade política e social conta. Creio que não seja exactamente da idade. A determinada fase urge tomar-se posição e dizer basta! Os néscios, esses, continuarão a engolir sapos. Mas são cada vez mais muito poucos os que se propõem a engolir sapos, para agradar a Nyusi.

Continuar a servir de asfalto a Nyusi, que não tem ideias nem se mostra alguém com convicções próprias quando abre a boca, acredita este coro de vozes, equivale a viajar sem destino, a pactuar com o desvio da nação a parte nenhuma. Um desvio a si próprio ou uma queda no abismo.

Os moçambicanos mostram, com isso, que já não se iludem, a seguir às cegas a quem não sabe onde os leva. Dizem: Nyusi não! (Adelino Timóteo)

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