Carta ao Barato Abdul Karimo

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Beira (Canalmoz) Barato Abdul Karimo,

Deve ter reparado que dispenso-lhe os termos caros como honorável, excelentíssimo, porque tão barato você se tornou ao vender a pátria, que me comprazo de afirmar que é a forma de tratamento adequada que lhe reservo, como uma eminência tristemente célebre.

Barato Abdul Karimo,

No dia em que você se comprometeu a divulgar os viciados resultados eleitorais, você deve ter tomado o vinho do esquecimento, poção que se proíbe aos devotos muçulmanos, mas que você, instigado pelo diabo, certamente o deve ter tomado, e tal como Helena de Tróia, lhe ministraram os seus patrões, para o levarem a esquecer do sangue derramado na guerra dos dezasseis anos, que se saldou em um milhão de mortos, para o levarem a esquecer dos cinco mil mortos na guerra de 2013-2014, para o levarem a esquecer das cerca de cinco centenas de mortos no conflito 2015-2016. Você encobre crimes, mistérios e tanto é o seu esquecimento que não deve se recordar que a guerra colapsou a economia e colocou o país na lista dos mais endividados do mundo.

Ao chancelar o crime eleitoral você está a lidar de forma eufemística com aquilo que é terrível, dramático e injusto. Num assunto de Estado como esse você joga com parcialidade, diminui a expressão do povo, retira a soberania do povo e submete a existência do mesmo a uma gang criminosa e sem escrúpulos, quanta se trata de oprimir a maioria e saquear do erário público.

vinho do olvido deixou-lhe tão descontrolado, a ponto de tê-lo levado a arbitrar resultados sem editais, dando lugar a um conflito armado, a posteriori”.

Barato Abdul Karimo,

Esse vinho do olvido, esse vinho do esquecimento com que lhe brindaram é o mesmo que jorra nas casas e nos bares frequentados por aqueles camaradas, como o Barato Abdul Karimo, que não importando com os meios e agarrando-se nos fins como uma tábua de salvação, afirmaram terem sido justas, livres e transparentes as eleições, conquanto têm a consciência das evidências da fraude, dos milhares de boletins de votos que circulavam nas vésperas do escrutínio e com os quais se fizeram enchimentos de urnas. Enquanto o Barato Abdul Karimo tapa o sol com o cofió, já o povo sabe de antemão que nas províncias do centro e do Norte os governadores provinciais foram falsamente eleitos, a membros das assembleias provinciais falsamente eleitos, os deputados, grosso modo, falsamente eleitos. O povo sabe que terá um ilegítimo presidente da república, que não espelha a vontade do povo, por isso de facto e não de direito.

Barato Abdul Karimo,

O vinho do olvido corrompeu o seu discernimento, prejudicando toda uma Nação, sabendo ter sido esse mesmo viciante vinho do esquecimento que os camaradas ingeriram em 1974; tomaram o poder do país recusando-se a se submeterem a um escrutínio, onde todo o povo tivesse a sua voz, através do processo “um homem um voto”, repetindo agora a proeza, como se verifica, está-lhes nos genes, têm medo de um plebiscito verdadeiro e sem eleitores fantasmas. O vinho do olvido cegou completamente esses camaradas, que se instalaram comodamente nas poltronas do poder, como o Barato Abdul Karimo, lançando o país numa ditadura sangrenta, com o degredo de mais de duzentos mil nacionais para os Campos de Reeducação, o que representou o nexo de casualidade para o longo conflito devassou o país, o que representou um grande retrocesso desta sociedade.

Barato Abdul Karimo,

Não sei se o líquido que o descontrola o deixa ver; os camaradas contagiados do vinho do olvido lhe transmitiram um vício nefasto e perigoso, o vinho do esquecimento não é só um estupefaciente, como também, ingerido nas doses em que os camaradas lhe deram a ingerir, subversor dos bons princípios éticos e morais.

Você sonega o que todo o mundo viu. Agentes da Polícia e do SISE maltrataram o povo com cacetadas e participaram directamente na cabala dos camaradas, no enchimento de urnas; agentes da Polícia mataram membros da oposição, agentes da Polícia, comandados pelos comunas, prenderam populares sem culpa aparente. Em tudo isso jogaram com a sua cumplicidade, pois você colocou os populares num terror psicológico, instando-os, no dia 15, a abandonarem as mesas de votação, e muitos destes, a 300 metros daquelas, foram fortemente seviciados pela Polícia, que passou a reprimir a coberto de uma lei invocada para da cobertura a actos criminosos dos seus camaradas.

Barato Abdul Karimo,

Chamo-lhe à consciência. Não sei se você já reparou que bebeu demais esse vinho, antes da sua tomada de posse tínhamos um país mais ou menos seguro e tranquilo. O mesmo país caiu num poço, pelos seus actos irresponsáveis. Você volta agora a atirá-lo no coração das trevas; cumprindo ordens dos seus sequazes egoístas e ditadores, você volta agora a mergulhar vinte e sete milhões de nacionais na incerteza.

Barato Abdul Karimo,

É, em parte, esse vinho do olvido que você vem tomado desde 2013, a razão do efeito “dívidas ocultas”, com que prosperou a rede clientelista dos seus patrões, com subterfúgios de uma guerra que quanto mais não era senão para tapar os olhos da opinião nacional e internacional, após as fraudulentas eleições de 2009.Você é a razão do factor RNM armada e a perseguição pelas FDS até ao encurralamento e morte de um Líder.Você é a expressão de uma violência latente, o clima de ódio e intolerância latente, que coloca o país em perigo de desagregação.

Barato Abdul Karimo,

Este país que você está a ajudar a levar ao abismo já foi um lugar de tolerância e riqueza do ponto de vista de relações humanas, do ponto de vista de mestiçagem e relações inter-religiões, mas que os seus actos reiterados e impensados o chancelam como um país redondamente falhado, inteiro, com uma ponta de iceberg que são os secessionistas em Cabo Delgado, havendo um estertor de medo dos excluídos que você muito tem ajudado a produzir.

Por último, Barato Abdul Karimo, como bom concidadão seu, aconselho-lhe: você precisa de uma desintoxicação das promessas maviosas de conforto com que lhe encheram os ouvidos; você precisa de uma urgente desintoxicação para salvar a sua alma vendida ao diabo, que ao longo de 43 anos retira a felicidade aos nacionais deste país; você precisa de libertar os seus albornozes e túnicas sagradas deste ar purulento dos mortos e dos Dragões da Morte, que infestam a nossa sociedade.

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