Frelimo mente

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Beira (Canalmoz) – O processo de recenseamento eleitoral terminou, faz já muito tempo. Agora está a decorrer a campanha eleitoral que vai terminar com a votação a 15 de Outubro que vem. Contra todos os factos, as brigadas do partido Frelimo vão de casa em casa registando os números de cartões de eleitores e a perguntarem em que escola cada um se recenseou.

Os inquiridores da Frelimo registam, num caderno, as respostas e não dizem para que efeito fazem aquele exercício que já está a infundir medo em potenciais eleitores. Sabemos que estão a preparar uma megafraude.

Para quê a Frelimo precisa do número do cartão? É uma pergunta que continua sem uma resposta, porém, levantam-se algumas hipóteses. Uns pensam que as suas preferências, na cabine de voto, serão do conhecimento da Frelimo, daí recearem represálias.

Anda por aí  uma propaganda enganosa segundo a qual “saberemos em quem você for a votar e se votar em outros, não iremos resolver os seus milandos, lá no bairro, e aos idosos ser-lhes-ão cortada a mesada dos “madalas” que recebem do INAS”. Outros julgam que a Frelimo está a preparar cadernos paralelos, um esforço adicional  o que lhes  vai permitir “vencer” as eleições, como tem sido recorrente.

Em Manica, vários potenciais eleitores,  membros da Renamo e do MDM, dizem que já foram visitados por brigadas da Frelimo a pedir número de cartão de eleitor e o local onde irão votar. Este problema já foi levantado ao nível  dos órgãos eleitorais locais, em Chimoio, mas o assunto não foi levado com a devida seriedade, o que permite concluir que se trata de uma “orientação superior” que ultrapassa o STAE e a CNE.

A Frelimo  deve ter orientado as suas brigadas para fazerem tal inquérito  a fim de infundirem medo nas pessoas ao ponto de as induzir a votar nela e no seu candidato. Duvidamos da legalidade deste inquérito e se estivesse a ser levado a cabo por brigadistas da oposição, não temos medo de errar se afirmarmos que teriam sido detidos, julgados e condenados acusados de um ilícito eleitoral grave. Como se trata da Frelimo, o partido de vanguarda, na qual militam polícias e magistrados, nada vai acontecer. Durante a nossa digressão, vimos, em Catandica, polícias trajados de camisetes da Frelimo. Isso é mesmo uma porcaria!

O procurador-chefe da província de Nampula até se atreve a vestir-se de camisete da Frelimo e postar nas redes sociais e nada lhe aconteceu. Quem vai confiar num magistrado partidário? Não gostaríamos de ser julgados por magistrados arregimentados ao partido no poder. A Frelimo vai continuar a intimidar as pessoas sob o olhar cúmplice dos órgãos eleitorais. A procuradoria não vai fazer nada porque a Frelimo é seu patrão. Os tribunais não torram farinha com a Frelimo. Todos estão num “relaxamento”, um termo “jurídico” descoberto por Verónica Macamo, presidente da Assembleia da República, para caracterizar a tolerância entre os seus correligionários.

A par da destruição dos materiais de propaganda eleitoral dos demais concorrentes, indivíduos ligados ao partido no poder têm estado a protagonizar um autêntico vandalismo que concorrem para a alteração do curso de eleições, pelo menos, pacíficas. Há relatos de violência por todos os lados. Como a Renamo, em alguns lugares, tem respondido com a mesma intensidade à violência da Frelimo, vemos Filipe Nyusi a apelar aos seus apaniguados para não responderem à violência pela violência.

Só agora Filipe Nyusi se lembra de apelar aos seus camaradas para se absterem de responder à violência? Até aqui, Nyusi fazia-se de surdo enquanto os seus membros batiam nos seus opositores, vandalizavam símbolos dos partidos, queimavam delegações da Renamo e do MDM, de forma impune. Nyusi ficava em silêncio, enfiado em poltrona a assistir outros moçambicanos a serem espancados por membros da Frelimo. Nyusi ficava calado. Agora que a Renamo está a ripostar, o bom de Nyusi salta do sofá para dizer aos seus camaradas para não responderem. Quem está a responder à violência é a Renamo e não a Frelimo. Apelar à calma é branquear o problema.

A Frelimo tem provado, ao longo da História, que ouve, apenas, a linguagem da violência. Na província de Manica, as pessoas têm medo da Frelimo. Em Macossa é onde, em 2016, foram descobertas valas comuns com corpos das vítimas dos esquadrões da morte. O ambiente de terrorismo, em Macossa e Tambara, ainda não foi dissipado. A Frelimo continua ainda a desfazer. Em Vanduzi, mesmo nas barbas de Chimoio, um simples secretário da Frelimo do nível de bairro se acha com poderes bastantes de exigir que um cidadão seja “desterrado” do seu território, acusado do crime de ser da oposição.

A intolerância movida pelo partido no poder chega a extremos inacreditáveis. Quando a Frelimo se apercebeu de que Daviz Simango iria a Tete, via Macossa, de imediato, despachou para vila a sua cabeça-de-lista, para embaraçar o candidato do MDM. Este, ao aperceber-sedisso, foi a Marromeu trabalhar enquanto ia fazendo um compasso de espera. As nossas dúvidas sobre as reais intenções acerca da paz e reconciliação entre os moçambicanos vão aumentando de volume e tamanho.

A Frelimo deseja continuar como um partido que tem o monopólio dos destinos de Moçambique. É assim que se constrói a paz e a reconciliação nacional? A reconciliação só se faz quando se é da Frelimo.

O Distrito de Mossurize foi um palco em que várias dezenas de nossos compatriotas foram mortos, em 2016, pelos esquadrões da morte. Conhecemos cidadãos pacatos que perderam tudo. Ficaram sem gado. Roubaram tudo.

Os esquadrões visitavam as suas vítimas, depois de se informarem que os camponeses acabavam de receber dinheiro da comercialização agrícola. Esses tipos que aparecem a comer, beber e a dançar com o povo, depois de atingirem o poder mudam de discurso e passam  a dizer que “não temos dinheiro”. Fizeram o manifesto eleitoral a contar com o dinheiro dos outros.

Não se deixem enganar com promessas do desenvolvimento fácil que prometem. É tudo mentira o que esses senhores andam a dizer. Eles querem ser legitimados pelas suas vítimas. Falam bem, mas, na prática, fazem tudo ao contrário – roubam, fazem calote, raptam e assassinam. Eles não mudam nada. São violentos, nojentos e gatunos de gema.( Edwin Hounnou)

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