O país das fraudes

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Beira (Canalmoz) Estamos a construir fraudulentamente um país, porque a verdade, a moral e ética já não contam. A começar pelo Governo, desde 1975 foi-nos imposta uma ditadura. Até ao fim da primeira República fomos governados a chumbo e ferro por uma oligarquia nepotista, de primos, irmãos, cunhados, amigos e vizinhos, que sujeitaram outras identidades singulares. Sempre evocaram o nacionalismo e valores nobres, envoltos em mentira, para perpetuarem a desgraça e miséria colectiva, em nome do povo.

Mataram Mondlane e fraudulentamente produziram culpados, sentados nas poltronas do poder. Com a sua mente fantasiosa construíram uma engenharia ardilosa e produziram fraudulentamente reaccionários. Fraudulentamente povoaram cadeias de inocentes cidadãos, castrados nas suas identidades, no direito de conviverem com as suas famílias. Fizeram do país um campo de concentração e sempre construído muros de mentiras, para iludir o povo.

Fizeram de alguns apartamentos em Maputo paióis do ANC, com armas que chegavam desde a Zâmbia. Eram armas usadas em ataques bombistas na África do Sul, que semearam bastante luto e terror, no nosso vizinho país do Rand. E quando as Forças de Defesa e Segurançado apartheid agiam em legítima defesa preventiva envolveram-nos em mantos de mentira de que estávamos a ser invadidos por racistas brancos. Instrumentalizadospor estes mentores de fraudes, nas escolas punham-nos a cantar iwe Pieter Botha andina commander…”. Os mentores da fraude nunca nos disseram publicamente que os nossos irmãos nacionalistas sul-africanos e zimbabweanos andavam escondidos no nosso meio, em bases em Chimoio e Tete. Sempre alegaram éramos vítimas, quando as ofensas contra os vizinhos partiam das nossas casas. Milhares dos nossos parentes das Forças Populares eram forçados a combaterem os rodesianos e, no entanto, quando os rodesianos e os sul-africanos apoiavam os nossos irmãos que combatiam a ditadura, diziam estávamos a ser vítimas de uma guerra de desestabilização e que os nossos irmãos eram moleques de brancos.

Passámos quase duas décadas à fome, minguando, éramos raquíticos, e fizeram triunfar as suas mentirosas teorias nas cabeças mais frágeis.

Mas, em verdade, duram já quarenta e três anos que a máquina da fraude mantém lavagens cerebrais, criando culpados, que são sempre os outros e nunca eles.

Eles faliram fraudulentamente o Banco Popular de Desenvolvimento. Faliram o Banco Austral. Faliram as empresas estatais. Faliram os grandes projectos da Cuso-suco e F04 e levaram dinheiros suíços ao bolso.

Eles faliram o nosso sonho de termos um país limpo, justo e pleno. Eles faliram a possibilidade de convivermos harmoniosamente, ainda que separados pelas diferenças ideológicas.

Agora temos um presidente ladrão e corrupto, e a máquina de propaganda deles, tão subvertora, dirá que a culpa de nos terem imposto por meio de uma gigantesca e monumental fraude eleitoral um parlamento e um presidente que levou ao bolso dois milhões de dólares deve-se à mão externa, que inventa mentiras contra a segurança do país.

Somos um país tão vitimado que a culpa de se venderem exames escolares é dos expatriados. Somos vítimas da mão externa, mesmo sabendo que fraudulentamente a cleptocracia que nos governa capturou a sociedade civil, que fiscaliza as suas próprias fraudes, com comentários abonatórios e rasgados elogios à ortodoxia estalinista dos seus modos.

Neste mundo onde muitos querem ser já protagonistas de qualquer coisa, não importando os meios para atingir os fins, o Estado de Direito é também uma fraude contra dezoito jovens feitos prisioneiros políticos, que ousaram tentar fiscalizar civicamente a fraude dos eleitos fraudulentos da nossa justiça cega.

Coitados de nós, moçambicanos, vítimas da fraude, da mão externa, que nos próximos cinco anos alimentaremos um presidente corrupto e a sua gang, com o luxo, regalias e segurança, dos nossos impostos, enquanto minguamos nas ruas da amargura, a duras penas. (Adelino Timóteo)

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