Os negros também coram de vergonha!

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Beira (Canalmoz) O artigo Bispo semeia confusão em Cabo Delgado, inserido no jornal Público desta semana, está eivado de imparcialidade, denotando-se uma pretensa acção do regime para levar a Santa Sé a deslocar o Dom Luiz Fernando, para fora das fronteiras de Moçambique. Antes de ir mais adiante, vamos por partes. Começo com o seguinte historial: no dia 28 de Agosto de 2013 confirmava-se a compra do jornal Público por uma figura do partidão, com objectivo de silenciar a mídia independente. Recordo-me perfeitamente desse período, em que os jornalistas mais liberais passaram a ser cunhados por expatriados, por contraposição aos alinhados editorialmente com o pensamento então do regime do dia. Estes termos, que ganharam notoriedade nos espaços de debate da mídiapública foram preparados na Rua Pereira do Lago.

O Público, então editado por Samito Nuvunga (suicidou-se depois de contrair imensas dívidas e crédulo de que a instituição G40 iria abonar-lhe muito dinheiro), concentrava a sua campanha e insídia no ataque a pessoas com visão e abordagem diferente do partido da Rua Pereira do Lago.

Retomemos agora o caso da campanha difamatória contra Dom Luiz Fernando. Neste país independente, particularmente nunca se me passara pela cabeça o nível de intolerância e baixaria destes G40, de que o “Bairro do Vaz” é mais um membro, que, para iludir a opinião,pública usaram o racismo como seu cavalo de batalha, incitando o ódio contra seis indivíduos moçambicanos, que não tiveram a culpa de nascerem com a pele diferente. Um deles, Gilles Cistac, por via de uma campanha instigadora de um tal Cumbana, viria a ser morto no dia 2 de Março de 2015, por Dragões da Morte, do Partidão. Damião José admitira que estavam cansados de Cistac. Também a máquina de violência sectária do partidão exerceu grande pressão para levar às barras do Tribunal um economista e editores de duas publicações, por uma alegada carta atentatória à Segurança do Estado. Muitos jornais publicaram a carta, mas identificaram-se quais de entre eles tinham editores, responsáveis brancos (alistados no grupo dos a serem abatidos), e daí, a PGR arrumou um processo às pressas contra o Canal de Moçambique e a Mediacoop.

Hoje, a investida é contra o Bispo de Cabo Delgado, sabendo que foi quem desmentiu que o Governo tivesse o controlo da situação de instabilidade que afecta Cabo Delgado, e da sua diocese ergueu-se a crítica sobre a inviabilidade da visita do Papa Francisco por alturas da Campanha Eleitoral. A extrema-direita do partidão retalia-lhe com o epiteto racista colado às costas. Só cola para quem não está nos antípodas destas jogadas. Conheço José Luzia e não é nada do que se lhe tenta pintar. É de uma simplicidade e de relações sociais e humanas horizontais. Só mentes torpes e fantasiosas poderiam acusá-lo de racismo. Dom Luiz leva muito a sério o seu ministério. Só energúmenos e mentes incapazes de confrontá-lo com ideias o podem chamar racista. Aliás, como já se tornou moda no país, conforme demonstrado no historial acima.

O “Bairro do Vaz”, um lugar-tenente do regime, bem conhecido na rede social por suas prosas virulentas contra todos aqueles que pensam diferente dos que lhe pagam, vem hoje acusar o Alberto Ferreira de ser um dos responsáveis de termos na igreja moçambicana um bispo branco. Como o “Bairro do Vaz” tem fraca memória do seminário da Namaacha saíram muitos seminaristas que se juntaram à causa da libertação. Outros seriam posteriormente recrutados para directores de grandes firmas estatais. Conheci quatro ou mais: Lino A., A.Nhamizinga e Gregório, da Adena, Mossopela, Agricom. Para o Bairro do Vaz a opção desses não incorreu no prejuízo à igreja.

Tenho vergonha de volta e meia repetir a palavra branco, pois que não me passa pela cabeça como, em pleno século XXI, os ideólogos e propagandistas do partidão têm um ódio asinino e recalcado aos brancos, que eram a maioria no Governo de Machel, o mesmo Machel que numa conversa amena com um jornalista moçambicano de cor, hipoteticamente um Tembe, indignava-se como um Tembe podia ser jornalista, daí se rodeando, preferencialmente, de Silvas, Gomes, Soutos, Mários, Fonsecas, Santos e quejandos, como profissionais de primeiro nível, que lhe faziam a paisagem.

E porquê temos hoje padres brancos? O “Bairro do Vaz”, por sua adulação cega ao partidão, converteu-se num emocionado e não reflecte antes de escrever, fá-lo ao contrário. Ele diz que é por causa de Ferreira e demais quadros seminaristas negros terem abandonado a missão, depois da independência. É mentira!

Em primeiro lugar, a Igreja Católica é autónoma. É a instituição mais antiga de Moçambique. Não se guia pelo facto de nomear os sacerdotes em função da raça. As nomeações são propostas localmente e decididas no Vaticano. Depois da independência do país, eram a maioria padres de origem europeia ao serviço da igreja. A Igreja Católica previra mudanças e preparou uma geração de seminaristas e padres para cobrir o influxo de padres de origem europeia. Alguns desses padres e seminaristas tomaram o rumo político diferente e juntaram-se ao partidão, por alturas da luta de libertação nacional. No que ficou conhecido como a crise dos seminaristas, foram perseguidos na Tanzânia e outros seminaristas como João Unhai mortos pelo partido do propagandista do “Bairro do Vaz”. O partido do estoriador-propagandista expurgou e assassinou o Padre Gwengere, expurgou seminaristas como Dom Masquil e Dr. Gilberto Waya, Dr. David Aloni foi preso no Aeroporto da Beira, quando chegava do exterior. Waya esteve internado na famosa prisão de Moçambique D. Conheci-o pessoalmente e vivia no Matacuane, à frente da Paróquia aí estabelecida. Só o libertaram cerca de dez anos depois, feito um farrapo humano.

Um curso apressado do “Bairro do Vaz” na UEM não lhepermitiu aprofundar sobre a relação da Igreja e o Estado no pós-independência. O Estado foi violento com a igreja e os seminaristas. Daí aconselho-o a ler Anselmo Borges, Dom Vieira Pinto. Arcebispo de Nampula. Cristianismo: Política e mística,  Edições Asa, 304 p.p., 1992;  Luís Benjamim Serapião, The Catholic Church and Conflict Resolution in Mozambique’s post-colonial Conflict, 1977-1992, para não vir a público dizer baboseiras e fazer crer que José Luzia é racista. Nos Cadernos Tempo dos anos 70 e 80 abundam artigos sobre Campos de Reeducação, onde Machel trata de forma humilhante a parte desses padres e seminaristas. Por aquelas alturas palmeavam-se os actos insanos de Machel, como reincidem os propagandistas de jaez do “Bairro do Vaz” a palmearem hoje. Os erros do passado se reflectem no presente, no futuro se repetira. Não é por acaso, a história repete-se. Muitos missionários foram forçados a abandonar o país e quarenta mil crentes das testemunhas de Jeová foram presos por estas alturas. Estes crimes estão todos documentados. Mas o ódio aos padres, não sendo de hoje, tem sempre inspiração política. Lembra-se que neste país teve o seu expoente aquando do julgamento dos Padres de Burgos, na Beira, os mesmos que denunciaram em 1971 os massacres das tropas coloniais. Os Padres de Burgosdesdenhavam a confusão da relação cúmplice Igreja-Estado. Claramente, o ódio contra o Dom Luiz deve-se ao distanciamento das suas posições com o Partido/Estado.

Toda a gente no mínimo lúcida sabe que quem está por detrás da campanha contra o Bispo de Cabo Delgado é o partido  do “Bairro do Vaz”, por aquele, por suas posições, se ter tornado inconveniente. Assim o fizeram com o Dom Jaime Pedro Gonçalves (em Setembro de 1982 o Papa João Paulo II havia-o apelado a trabalhar pela PAZ), que, porque não o podiam chamá-lo racista, sendo negro, o conectaram à RENAMO. Já passou a ser habitual esse tipo de preposições; quem é branco e não apoia o partido defendido pelo “Bairro do Vaz”, logo é racista; quem é intelectual que pensa fora dos clichés e da cartilha do poder, logo é expatriado. Uma panaceia de exemplo que não acabam e que começaram em 1975: todo o branco moçambicano que apoiava a ideia de eleições, logo era português, criador da RENAMO, fascista e colonialista. Continua o partidão na idade da pedra e em plenas trevas dos tempos medievais, a invocar a raça, onde nos falta argumento. Até o Sérgio Vieira, que foi um dos ideólogos dessas teorias, acabou ele próprio indexado como Goês e depois linchado. É o que dá quando a macrocefalia de um país está entregue a gente, que, no lugar de jurar lealdade ao Estado e à Nação, fazem-no a um partido, não pensando dois dedos da testa e dedicando-se a levantar o braço até rasgar a camisa debaixo da sovaqueira.

A partir de 1977 o partido do “Bairro do Vaz” fechou igrejas, seminários menores foram obrigados a encerrarem, pois o partido do “Bairro do Vaz” assaltou as contas da Igreja nos bancos e passou a gerir particularmente o que não era deles. Muitos padres europeus, deste modo, saíram de Moçambique, os que se mantiveram tinham uma relação com o partido, como o Bispo Vieira Pinto, que aplaudiu o recrutamento forçado de jovens para Cuba e RDA. Mas é muita história. O “Bairro do Vaz” deve andar muito emocionado e atarefado. Parece que não tem tempo para ler, a avaliar a quantidade de “posts que destila diariamente. Mas recomendo-lhe a ler vivamente de vez em quando e reflectir sobre o racismo dos autóctones, como o descrito no anúncio da senha Galo amanheceu, de 7 de Setembro de 1974, que ocultava a acção anti-brancos que daí em diante começou-se a desenvolver. A uma mãe arrancaram-lhe a criança, decapitaram a cabeça à filha e começaram a jogar futebol com a cabeça dela. O problema do país são os servis e funestos, aos quais não se pode dizer nada, nem apontar erros, sob o risco de receber conotações como saudosista, etc., etc..

Não toquem no Dom Luiz Fernando!

Era bom que o país reflectisse sobre a injustiça de tais acusações contra Dom Luiz, porque não abonam num país que se diz miscigenado. Não me revejo neste Moçambique de intolerância racial, quando no aspecto de relações inter-raciais éramos um exemplo perfeito na África Austral, pois no Zimbabwe e África do Sul dominam zonas insulares e estanques de misturas raciais, mesmo até nos bares e restaurantes.  Pelo menos duas pessoas não negras (de sexos opostos, um moçambicano e uma portuguesa) têm sido atacadas de forma rácica e reiterada por “Bairro do Vaz”, na sua página da rede social dominante. Isto o Público não publica. O “Bairro do Vaz” está a ficar ultrapassado, dizendo asneiras, autênticas baboseiras, que minam o melhor que tínhamos, capaz de corar a qualquer um, se bem que os negros retintos como o “Bairro do Vaz” também coram de vergonha! (Adelino Timóteo)

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