Perniciosos e malandros

0
70

Beira (Canalmoz) O nível de enchimentos e outro tipo de fraude eleitoral permitiu que o partido Frelimo e o seu candidato, Filipe Nyusi, atingissem números de tal ordem que deixam os militantes mais honestos assustados porque, em democracia, isso não pode acontecer. Não há nem pode haver qualquer investimento, quer humano, quer financeiro, que justifique uma vitória, exageradamente, assim tão volumosa e, grandemente, escandalosa. Poucos líderes africanos entram na história dos seus países por bons motivos – se não são ditadores e patronos de esquadrões da morte que dizimam os adversários do regime, são gatunos, caloteiros e fraudulentos de eleições.

Charles King, do partido Verdadeiro Whig, presidente da Libéria entre 1920 e 1930, entrou no Livro dos Recordes por ter protagonizado uma monumental fraude. Ele foi eleito por 234 mil votos, quando haviam sido inscritos apenas 15 mil eleitores. Charles King, tal como Filipe Nyusi, manteve-se no poder na base de fraude que rondou 1560%. Isso encaixa na teoria e práticas da Frelimo, que diz que o que conta são os votos depositados na urna e não os eleitores inscritos. Esta lei foi feita para permitir a execução de fraude massiva, como ficou provado nas eleições de 15 de Outubro de 2015 e vincado pelo presidente da Comissão Nacional de Eleições, o “sheik” Abdul Karimo.

Esta prática tem facilitado bastante o partido Frelimo que, de eleição em eleição, comete atrocidades que insistem em chamar de eleições democráticas aplaudidas por países  que têm os olhos postos nos nossos recursos. As fraudes não honram a África nem os povos dos países dirigidos por governos emergidos de práticas antidemocráticas, como golpes de estado, enchimentos de urnas com votos falsos, intimidações de polícia, restringimento de territórios à oposição pelo partido governamental ou resultante da desigualdade de oportunidades de financiamentos, de acesso desigual às facilidades.

As fraudes que a Frelimo vem protagonizando desonram o povo e desprestigiam os processos eleitorais que mais parecem um jogo de batota que outra coisa. Não podem ser levados a sério. A seriedade de um país vê-se pela postura dos seus governantes. Nenhum país pode levar a sério dirigentes que emergem de eleições fraudulentas. Quem persistir continuar no poder ou tentar alcançar o poder através de fraudes não pode ser sério. É o mesmo que confiar as chaves de um armazém a um ladrão. Ele, ao invés de guardar, vai roubar. Aí o culpado será o dono do armazém, que é o povo.

Quando o povo se mantém sereno como se o processo eleitoral tivesse corrido bem ou segundo as leis, o culpado será, única e exclusivamente, o povo que nada faz para mudar o rumo da sua história. O povo tem que ser actor activo do seu destino e não um mero espectador ou um votou e ficou a esperar pelos resultados em casa, como têm apelado e ameaçado os ajudantes das fraudes eleitorais. As mudanças só poderão acontecer quando o povo tiver coragem suficiente para desafiar o seu próprio medo.

Não serão os norte-americanos nem os europeus a virem nos ajudar a remover os espertos que se pretendem eternos governantes sem o merecer. O povo tem de “tomar de acordar o seu destino”, como dizia o escritor português, Guerra Junqueiro. Não serão os observadores internacionais que virão tirar o povo do fundo do poço. Eles poderiam ajudar a recomendar aos seus governos para não felicitarem os fraudulentos, mas o papel decisivo cabe ao povo a quem os caloteiros roubam e espezinham.

Os observadores da CPLP da SADC, respectivamente Comunidade dos Países da Língua Portuguesa e Comunidade de Desenvolvimento de África Austral, cabem no mesmo saco de lixo. São eles que correm a elaborarem falsos relatórios onde  contam que as eleições foram livres, justas e transparentes, depois de saborearem o nosso camarão com vinho verde amadurecido. Os observadores da CPLP e da SADC não trazem nenhuma mais-valia aos nossos processos eleitorais. Eles não conseguem desligar-se das agendas dos regimes dos seus países, muitos dos quais detestados pelos seus povos.

Os governos que representam os tais observadores estão interessados que, nos  nossos países, permanecem regimes autoritários. Os povos querem governos comprometidos com a causa da maioria da sua população e não simples fantoches agarrados ao poder por meio de manobras eleitorais. Os fraudulentos assaltam o poder para servirem os seus interesses. Veremos a ginástica que o governo de Filipe Nyusi vai encetar para libertar os indivíduos, aparentemente, no âmbito da corrupção e das dívidas inconstitucionais. Nyusi não pode agir contra ele próprio porque a corrupção e a fraude faze parte da sua essência. Nenhum corrupto contra os seus colegas. Esperar que isso aconteça é o mesmo que esperar que um corvo vá ao hospital doar sangue.

Os povos querem paz, tranquilidade e desenvolvimento. Estes pressupostos não podem ser assegurados por governos saídos de eleições manipuladas. Moçambique está atrasado e isso não se deve à falta de recursos. Temos carvão mineral, ouro, areias pesadas, madeiras, porém, falta um governo que trabalhe para o bem-estar das populações. Passam 44 anos depois que o país alcançou a independência nacional, ao invés de melhorias na vida das populações, nota-se um enorme retrocesso económico, dando a entender que a independência seja coisa ruim. A independência é coisa muito boa e histórica. O que está mal é a maneira como o país está sendo governado.

O povo tem de se esforçar para mudar o factor do mal, que é o partido Frelimo que tem conduzido o nosso país ao descalabro económico e social. Antes que a Frelimo volte a instalar um pensamento único, é urgente que seja afastada do poder. Antes que reintroduza o sistema multipartidário, repudiemo-lo com manifestações gigantes.

A pouca experiência que temos em manifestações públicas ensinam-nos que o regime da Frelimo sempre se socorreu da violência policial para sufocar os manifestantes, diferente do que temos visto em Hong Kong, Espanha, França onde as manifestações decorrem meses seguidos sem um único óbito.

A  polícia, nos países democráticos, foi treinada para não atirar a matar a população. A manifestação é um direito que assiste aos cidadãos. Os regimes totalitários matam os manifestantes.  No dia em que o povo se manifestar, haverá um banho de sangue. A FIR/UIR terá muita bala a despender contra os manifestantes. Frelimo é perniciosa, virou um obstáculo ao desenvolvimento socio económico do país. (Edwin Hounnou)

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

2 × 2 =