Uma grande pocilga

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Beira (Canalmoz) As revelações chegadas do tribunal de Brooklyn, Nova Iorque, vieram, mais uma vez, a demonstrar que o partido Frelimo tornou-se numa grande pocilga, deixou de perseguir interesses públicos para ser um agrupamento onde se discute o que se deve fazer para os seus integrantes acumularem mais dinheiro, como engordar as suas contas bancárias, e acumular bens, nem que seja necessário socorrer-se de meios ilegais e criminosos. A Frelimo de hoje já não é aquela atrás da qual milhares de jovens correram e abraçaram de alma e coração, levados pela sede da justiça, liberdade e da independência.

Jovens, como nós, pensavam que havia chegado o momento da liberdade pela qual haviam lutado com armas em punho os mais corajosos, se esfumou. Passados um pouco mais de 40 anos, chegamos à triste conclusão de que só ganhamos a bandeira e todo o resto ficou corroído pela frenética ambição vontade de ficar ricos sem causa, através da corrupção.

A Frelimo virou uma verdadeira pocilga onde chafurdam os porcos mais sujos. A consolidação da independência nacional não conta mais. Melhorar o “performanceeconómico do país virou um conto de fadas. O ideal da liberdade e paz já existe. O poder político deixou de servir para o país se afirmar no concerto das nações, mas sim para o empoderamento económico  pessoal e de grupos de interesse.

A Frelimo de hoje compara-se a uma grande pocilga ou curral de porcos. Já não tem um ideal político. Perseguem e matam a quem a eles se opuser. Ostracizam vozes discordantes. O regime da Frelimo é pior que o colonial. No tempo colonial nunca houve uma roubalheira que se assemelhasse ao calote de 2,2 mil milhões de dólares porque, apesar de tudo, o sistema colonial era eficaz. Os gatunos não estavam tão à vontade.

As prisões não eram apenas para os turras mas também para os ladrões. A PIDE/DGS (Polícia política colonial) não participava dos festivais de roubos como agora assistimos altos oficiais da secreta do nosso Estado a roubar. Isso era inconcebível. O governador-geral que roubasse poderia ser degolado. Hoje, o nosso presidente é ventilado como tendo recebido um milhão de dólares de suborno e outros 10 partido dele.

Nós não sonhamos com um Moçambique de corruptos, pocilga onde nem a presidência escapa. Não sonhamos com um Moçambique onde a vida pesa menos que uma pena de galinha. A gente vive com medo por não saber quem será a próxima vítima dos esquadrões da morte do Governo. A ganância desenfreada pelo enriquecimento fácil, do mesmo grupo e das mesmas pessoas, conduziu o nosso país ao abismo.

A riqueza de um país não se mede pelos seus recursos naturais, mas pela educação moral, ética e técnico-profissional da sua gente.

Nós temos imensos recursos naturais tais como gás, possivelmente petróleo, areias pesadas, madeiras, carvão natural, rubis, grafite, porém, de nada nos valerão se o país continuar sob a gestão de bandidos, fraudulentos, imorais e porcos que só  agridem o povo. Por isso, o povo tem de se livrar daqueles que sabem roubar matar e organizar fraudes eleitorais.

Na Frelimo existe muita gente boa, honrada que vive do seu suor. O silêncio dessa gente pesa mais que uma montanha às costas do povo. Há gente que nunca roubou nada do povo. Essa gente não deve refugiar-se no silêncio. O silêncio não foi feito para gente de bem. A mesma coragem que teve ontem para se juntar à luta do povo, hoje deve levantar-se contra a corrupção e contra os caloteiros que obstruem o desenvolvimento do país.

Nós somos a maioria e eles são a minoria. Não nos deixemos vencer por gatunos, por muito importantes que eles sejam. Nós somos o povo, somos o dono do nosso país e do nosso destino. Lutemos por uma sociedade de justiça, pelo Estado de Direito! Recusemos ser governados por uma gang de mafiosos e bandidos!

Tanto precisamos que nos digam que não fazem parte da gang que destruiu a nossa economia, que não recebeu subornos de Jean Boustani, aquele franco-libanês que participou da grande  festa de aniversário de Armando Guebuza. Nem mesmo que seja mentira, sabemos que é mentira, digam que não roubaram nada ao povo nem que estão a pagar com os nossos impostos o dinheiro que empanturra as contas dos ladrões. Precisamos de uma mentira qualquer para acalmar as nossas almas angustiadas por gente imprestável, sem moral  e intragável que fechou as portas do futuro do nosso país.

Não podemos consentir que sejamos conhecidos por país de bandidos, mafiosos e caloteiros. Nós não nos juntamos a Jean Boustani para roubar seja a quem quer que fosse. A gente da laia de Jean Boustani que mente e rouba 2,2 mil milhões de dólares, e, sobejamente, conhecida.  Não enganamos a investidores estrangeiros nem mexemos com o sistema financeiro americano. Os que assim procederam têm nomes e endereços conhecidos, por isso, não custa nada a justiça ir buscá-los para responderem em juízo.

Somos um povo trabalhador e comemos do que produzimos. Os nossos filhos estudam em escolas precárias. Quando estamos doentes, não temos medicamentos, nos centros hospitalares,  para malária, diarreias e, por vezes, nem paracetamol para acalmar uma dor de cabeça. Andamos de chapa-100, feitos animais. Somos gente simples e sem rancor. A nossa paciência não é infinita. Não temos policias nem cães nem blindados para nos defenderem, mas temos a inteligência. Não queremos pagar as dívidas dos outros. Que paguem os que se beneficiarem delas. O povo não recebeu suborno.

Nós temos imensa vergonha só de pensar que o presidente de todos nós integra, também, a quadrilha de cidadãos nacionais e estrangeiros que defraudou o nosso Estado e sujeitou o povo a mais pobreza. Ele faz parte do grupo de bandidos que roubaram a um povo pobre para enriquecer aos ricos. Fala de combate à corrupção, porém, a gente que ele está a mentir.

New Man, aliás, Filipe Nyusi, devia ter devolvido um milhão que recebeu de suborno mais os 10 milhões que o partido que dirige recebeu do cúmplice na golpada dívida oculta. Seria uma forma de se distanciar do caso. Não o fez. Ficará para sempre associado ao escândalo que teve como trave-mestra a violação da Constituição que juraram cumprir, respeitar e defender.

Ao agir desse modo, ficamos a saber que a cultura de impunidade alastrou à nova geração da Frelimo, incluindo a molecagem que defende o indefensável, ilegal, imoral e criminoso. Defendem a violação da Constituição e das demais leis e querem que a gente acompanhe a banda do G40 na sua loucura. Nós  não defendemos a bandidos e gatunos. Eles são abomináveis e repugnam a  consciência. (Edwin Hounnou)

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