Um país sem futuro

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Beira (Canalmoz) – Deus tem sido bastante generoso para com o povo de Moçambique. O Senhor Nosso Deus deu-nos tudo para prosperarmos e sermos todos felizes como uma nação. Temos gás natural em quantidades incalculáveis, teremos petróleo,  temos carvão mineral, areias pesadas, grafite etc., que metem inveja a qualquer país do  mundo. Temos cerca de 60 rios com curso permanente de água, 36 milhões de hectares de terra arável.

O nosso país alberga o maior  complexo ferro-portuário ao nível dos países da África Austral. Já  tivemos, até à independência nacional,  a maior indústria têxtil de África. De nada nos valem os recursos enquanto continuarmos a ser governados por ladrões.

O nosso país era um excelente exportador de calçado e têxteis. As potencialidades que possuímos não têm servido aos interesses nacionais. Continuamos de mão estendida. Esperamos pela caridade dos outros para construirmos uma  latrina, uma sala anexa, um pedaço de estrada, um furo de água,  etc.. A pobreza por que passamos resulta de uma péssima gestão dos recursos que temos.

O maior recurso, e de todos temos, de um país ou de qualquer organização é o homem bem educado e formado para servir o seu povo, e os recursos naturais só servem como um valor acrescentado. Em África, temos vários países com imensos recursos como petróleo, diamante, rios, centrais de geração de corrente eléctrica não têm servido  seus povos. Os povos de muitos países africanos nunca conseguiram sair da linha da pobreza devido aos seus governos e não por falta de recursos.

A RD Congo e o Tchade são exemplos que não devem ser seguidos. Estamos convencidos de que com a Frelimo a conduzir os destinos de Moçambique não fogem da regra dos países com tantos recursos naturais e o povo mergulhado na mais abjecta pobreza, como observou o Papa Francisco, quando de visita ao nosso país. Entendeu quem o quis ouvir e nós ouvimo-lo bem. Em 45 anos de independência, fomos sendo conduzidos até ao beco sem saída.

Os sucessivos acordos de paz assinados entre os governos do partido Frelimo e a Renamo não acrescentaram qualquer relevância ao país. Não trouxeram a almejada paz nem uma democracia efectiva. As vitórias eleitorais conseguidas através de fraudes eleitorais, enchimentos de urnas com votos falsos, intimidação policial, prisões dos representantes dos partidos da oposição, a drenagem de fundos públicos para o partido no poder mancham, de forma grave, a paz e a democracia.

A exclusão económica e social empurra o país para instabilidade social e aproxima-nos cada vez mais do desentendimento. A exclusão é uma grave doença que apoquenta a Frelimo desde que chegámos à independência. A própria independência foi de exclusão. Assistimos a uma perseguição implacável aos que pensa(va)m diferente. Foi a exclusão que nos levou à guerra dos 16 anos. A mesma incendiou o país no tempo de Armando Guebuza e continua nos sufocando no tempo de Filipe Nyusi. A exclusão politica e económica é o petróleo que alimenta a combustão da discórdia entre os moçambicanos.

O partido no poder, em Moçambique, precisa entender que o país pertence a todos os moçambicanos e não apenas dos membros da Frelimo e enquanto o país continuar com as portas abertas apenas para indivíduos de uma e uma só organização política, não teremos paz nem estabilidade. A verdadeira mão externa que perturba o nosso povo e o nosso país chama-se Partido Frelimo, partido de mudança e de vanguarda, e não aquilo que costumam insinuar. A mão externa tem o nome único de exclusão, económica e social, as fraudes eleitorais, roubos de fundos públicos, calotes e dívidas ilegais. Entendemos que os ministros sejam do partido que, supostamente, tenha vencido as eleições, todavia, já não compreendemos que toda a máquina do Estado seja uma pertença de quem se diz ter vencido o escrutínio. Isso a nós incomoda bastante.

Na investidura para o segundo mandato, Filipe Nyusi disse que “não podemos ter medo de quem pensa diferente. O pensar diferente é uma riqueza”. Isto é  uma autêntica fábula que se conta às crianças antes de irem para a cama. O maior perigo que nos espreita continua a ser o pensar diferente. Vários cidadãos que foram assassinados por pensarem diferente.

Quem não se lembra do assassinato do constitucionalista franco-moçambicano Gilles Cistac, que foi morto por ter dito que as exigências da Renamo têm acolhimento na Constituição da República de Moçambique? Ainda nos recordamos de raptos dos comentadores Jaime Macuane e de Ericino de Salema, depois de quebrados os membros, foram jogados numa ravina por “falarem muito”. Cada passo que ouvimos, acordamos assustados pensando que chegou a nossa vez.

Afonso Dhlakama, então líder da Renamo, escapou a emboscadas  montadas por tropas governamentais e do perigoso cerco à sua casa, nas Palmeiras, na Cidade da Beira? Isso de tolerância, inclusão é uma cantiga que não convence ao cidadão mais distraído de Moçambique. É um simples discurso para divertir o público que o escuta enquanto nós sabemos que se trata de uma mentira grosseira. É esta a tolerância que Nyusi reitera? Se for isso, então estamos muito mal entregues. Voltamos a cair nas garras de lobos esfomeados. Serão cinco longos anos de sofrimento e falamos com conhecimento de causa.

Os próximos tempos serão piores que os cincos anos passados sob a gestão de Nyusi. Para reinar, os esquadrões da morte já foram reactivados para silenciarem quem discordar das políticas do governo de Nyusi. Pesando bem as nossas palavras, afirmamos que todas as guerras por que temos vindo a passar foram provocadas pelo partido Frelimo que se julga dono do país e do povo moçambicano.

A partir de 2022, será crucial para o povo de Moçambique, tido como o início da exploração do gás natural liquefeito. As elites da Frelimo irão ficar com todos os benefícios do gás, a pobreza vai-se agravar e a consolidação do regime monopartidário será um problema para todos nós.  O primeiro passo de perigo  foi dado – correram para os bancos internacionais, em nome do povo, buscar cerca de 2,2 biliões de dólares e distribuíram-se entre eles.

A retirada do poder do partido Frelimo é uma missão histórica e patriótica. Será uma obra cada vez mais difícil e, a agravar a situação, temos uma oposição que passa o tempo todo olhando para o seu próprio, degradiando-se por uma simples côdea de pão.

A Frelimo é demasiado forte ou a oposição é demasiado fraca, egoísta e sem visão do país e do povo? À partida, pensamos que a oposição é fraca e, muitas vezes, facilita a Frelimo para, depois, receber as migalhas que caem da mesa do poder. ( Edwin Hounno)

A oposição deixa transparecer que não tem agenda de chegar ao poder e os mafiosos da Frelimo, imbuídos de gene de delinquir, assaltam o poder e fazem a distribuição de facilidades de enriquecimento fácil entre eles. A oposição não faz o suficiente para tirar a Frelimo do poder ainda que esta tenha as mãos cheias de sangue e de dinheiro roubado.

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