Democracia de fraudes!

0
434

Beira (Canalmoz) – Moçambique é dos poucos países de África que, desde que ascendeu à independência, a 25 de Junho de 1975, nunca conheceu uma paz efectiva. O seu povo não conhece o que é viver em paz e sem sobressaltos. Os problemas por que passamos não se devem ao destino nem à vontade de Deus, mas sim à maneira errada como somos governados e ao modo fraudulento como organizamos e realizamos os nossos processos eleitorais.

Passam mais de 45 anos que vive em guerra intermitente, com pequenos intervalos para eleições que servem para lubrificar as armas de uma nova guerra. Os acordos que se assinam nunca foram capazes de desarmar as mentes para o povo viver em paz, as crianças crescerem sem turbulência e o país se desenvolver. Depois das eleições,  vem uma nova guerra mete a vida económica, política e social em convulsões. Chega o caos, e o terror toma conta do povo.

Por detrás de cada acordo assinado, sempre existiu uma malícia, uma rasteira para tirar ganhos de grupos, para lixar o outro. Assim aconteceu desde os acordos de Roma, passando pelo de Cessação das Hostilidades Militares, um verdadeiro aborto, até desaguar no novíssimo através de Filipe Nyusi e Ossufo Momade. Nenhum deles trouxe paz definitiva e reconciliação da família moçambicana.

O povo sai de cada acordo, vez mais ofendido e desiludido com os políticos signatários. Antes sem acordo nenhum de brincadeiras que com acordos prenhes de mentiras e rasteiras. O acordo de uma verdadeira paz sempre ficou adiado porque políticos do partido governamental se julgam proprietários do país e do povo. A Renamo prefere continuar pensando como o único interlocutor. Bate-se pela exclusão dos demais actores políticos enquanto  outro lhe vai passando à perna.  A Frelimo esfrega as mãos de contentamento por ver a Renamo a tropeçar na mesma pedra.

A exclusão é a bandeira da governação da Frelimo. Todo o indivíduo que seja diferente da Frelimo, logo lhe cobram a factura e cobrem-lhe de rótulos de inimigo e, até, de antipatriota. O almoço de estado que Filipe Nyusi ofereceu aos representantes dos órgãos de soberania e ao corpo diplomático acreditado em Maputo foi uma ostentação pública de exclusão. Ao almoço foram chamados os amigos, afilhados e bajuladores de Nyusi para se confraternizarem às custas dos impostos de todos os cidadãos.

O que acontece entre nós pode ser tudo menos democracia porque em sociedades democráticas ninguém é afastado, repelido por não professar uma determinada ideologia. Nós, aqui, somos discriminados porque discordamos da forma como o nosso está sendo conduzido, por isso, somos excluídos das oportunidades que o país oferece pelo simples “crime” de não pertencermos ao partido governamental.

Nyusi está livre de chamar os seus amigos, bajuladores e aos colegas da jornada do saque do Estado, quando esse jantar ou almoço ocorre na sua casa e às custas dele. Se agir dentro de tais parâmetros, não teremos como recriminá-lo, pois é livre de conviver com seus amigos e comparsas. Se o festim for a acontecer no Palácio da Ponta Vermelha, então, exigiremos que tenha as portas abertas para todos, incluindo os seus mais acérrimos críticos por se tratar de uma festa subvencionada pelos impostos dos cidadãos, incluindo dos que são perseguidos e raptados pelos esquadrões da morte.

A validação pelo Conselho Constitucional dos resultadosfraudulentos prova que, enquanto as eleições, em Moçambique,  continuarem a ser conduzidas pelo actual STAE, CNE e Conselho Constitucional, o partido Frelimo jamais será derrotado e qualquer que seja o seu candidato vence a eleição porque os resultados são organizados no gabinete. O CC é cúmplice desta falcatrua e reparte as  culpas com a Frelimo e os demais órgãos eleitorais. Serão eles responsabilizados pelo que vier a acontecer, no país.

Depois da jogada do CC,  temos que concluir que não vale a pena o país continuar a gastar rios de dinheiro para uma farsa, nem andar a pedir dinheiro a países amigos de Moçambique a fim de financiar um jogo sujo cujo vencedor já é conhecido. É o mesmo que propor a exame um estudante mal preparado ou receber um candidato a emprego um indivíduo que nunca pôs os pés na escola ou num centro de formação técnico-profissional. É o mesmo entregar a sua viatura a um tipo que nunca dirigiu um carro.

Ao jogar de tal modo, a Frelimo esvazia todo o conteúdo da democracia que preconiza uma concorrência justa, transparente e igual entre as partes. Em democracia, uma eleição é, sempre, um momento especial em que os pretendentes do poder são analisados, julgados e sentenciados pelo povo. Não é isso o que acontece no nosso país.

As eleições, entre nós, se realizam para, apenas, parecermos democratas enquanto de democrata não há nada. Elas servem para impressionar os doadores que, com este tipo de truques de máfia, desembolsam o dinheiro dos seus povos  que enchem as contas dos corruptos cá da nossa terra.

Não pode haver democracia sem democratas ainda que finjam ser democratas. Mais tarde ou mais cedo, a sua prática quotidiana vai desmenti-los que são lobos cobertos de pelo de ovelha. Não aceitam perder uma eleição. É um contra-senso esperar que um caloteiro, corrupto e assassino promova a democracia.

Não temos dúvidas de que seja Frelimo que promove o mal-estar, desconforto e guerra por querer governar o país mesmo tendo visto o cartão vermelho. O povo não sofre de amnésia dos males que andam a fazer contra si. A Frelimo é um grande problema. É um sério obstáculo atravessado no caminho do desenvolvimento do país e do povo.

A Frelimo, há cerca de 12 meses, perdeu as eleições na zona centro e agora aparece vitoriosa em todos os círculos eleitorais. No período em referência, não houve nada de espectacular que pudesse alterar a mente do povo. Já não estamos em época de milagres. Muito pelo contrário, os casos de corrupção aumentaram, o maior calote ocorrido em continente africano foi desvendado, protagonizado pelos graúdos do partido no poder. O que fez granjear amizade e simpatia por gente e nojenta assim em fracção de segundos? – Só a fraude pode explicar a vitória da Frelimo e de Filipe Nyusi.

O povo precisa acordar para decidir pelo seu destino porque estes canalhas não servem para nada. Não serão os países das potências estrangeiras, sobretudo aqueles que estão de olhos sobre os nossos recursos naturais, que nos devem ensinar a entender que está tudo bem cá connosco, dizendo-nos que Frelimo veio para nos salvar e Nyusi seja o anjo São Gabriel. Só o povo se manifestando nas ruas vira o maior inimigo de um Governo de mafiosos, caloteiros e de fraudulentos. Outro caminho para tirar os corruptos que se pretendem eternos no poder, com recurso a fraudes eleitorais, não existe. (Edwin Hounnou)

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

7 + 8 =