Brutocracia

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Maputo (Canalmoz) – Transformar a redacção, qual “quartel general”, de dois dos jornais mais críticos do Governo, nomeadamente o semanário Canal de Moçambique e o diário Canalmoz, em lixo, não pode ser visto como um ataque à liberdade de expressão (género de que a liberdade de imprensa e o direito à informação são espécies). Estamos em face de algo muito mais grave e sério.

Considerar o ataque às duas sobreditas publicações como tal (atentado à liberdade de expressão) é o mesmo que, durante dois anos, considerar as agressões terroristas contra o Estado Moçambicano em Cabo Delgado como “delito comum”.

Ou considerar um golpe de estado como algo inconstitucional, quando se trata, na verdade, de algo anticonstitucional, ou seja, que ofende toda a constituição junta, toda a ordem constitucional, incluindo os princípios que a integram e governam, muitos deles até não expressamente consignados.

O lixo a que se reduziu a redacção dos dois jornais, depois da combinação extremismo-gasolina-fósforo, é um atentado ao projecto de consolidação do Estado Moçambicano. Os media são dos mais estruturantes elementos de uma democracia digna desse nome. Media independentes, entenda-se.

E, é bom que se diga, é exactamente pela centralidade dos media independentes numa democracia que a própria Constituição da República de Moçambique faz questão de deixar claro que os jornalistas da RM e TVM não são funcionários públicos, gozando eles das garantias de independência e isenção (número 5 do artigo 48). Claro que não é isso o que acontece no dia a dia. E todos sabemos porquê.

Mas, infelizmente, se repetirão as estórias da carochinha de sempre.

Como dizer que o Prof. Gilles Cistac foi “assassinado por brancos”, o que “só pode ter que ver com assuntos que ele deixou em França não devidamente resolvidos”.

Que os comentadores cujos membros foram partidos e/ou baleados, depois que raptados à luz do dia, viram-se em situação tal “por conta de assuntos sociais”.

Parece já não restarem mais dúvidas de que o pior está bem perto. A caminho.

Ou seja, a brutocracia já está a fazer escola… a partir de um país que já foi considerado como constituindo um bom exemplo de pacificação e transição para a democracia.

PS: Estranho, muito estranho, que, até aqui, o líder da Renamo não se tenha publicamente pronunciado em torno das ilegais rusgas à casa da deputada Ivone Soares. E as mesmas foram feitas há mais de um mês, segundo o SAVANA. (Ericino de Salema)

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