Roque Silva: a voz do mestre

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Beira (Canalmoz) –

Roque Silva é o actual secretário-geral da Frelimo, partido no poder em Moçambique desde 1975, ano em que se tornouindependente, disse, num tom intimidatório a possíveis membros do seu partido que desejam manifestar a vontade de se candidatarem à presidência da República devido à chegada ao fim do segundo mandato de Filipe Nyusi. É natural que, em democracia, os membros de um partido ou de uma organização política, social, económica ou de uma outra índole qualquer manifestem interesse de concorrer à sua presidência sem esperar de ser indicado a dedo por quem se ache com poderes bastantes. O colectivo de direcção ou grupos formados podem ter suas preferências, porém, isso não significa, de modo algum, que as demais vontades devem ser abafadas, reprimidas, ignoradas, intimidadas ou condicionadas ao pensar de quem esteja no poleiro. Nenhuma voz substitui outra. Ninguém fala em nome de outro. Ninguém deve ser intimidado por ser diferente. A liberdade de pensar ou de reunião deve ser plena. O expressar uma opinião diferente ou uma posição contrária já foi tomada uma atitude reaccionária, portanto, do inimigo a abater.

O discurso de Roque Silva segundo o qual ninguém tem que começar agora a preparar-se para ser candidato. Essa coisa de ser candidato, você não pode ser voluntário…espera aí! Os outros é que vão dizer que você dá para ser candidato. Ninguém pode ser voluntário: eu quero, eu quero! Quem te disse que você deve querer? Nós é que temos que querer e não você dizer que eu quero, disse Roque Silva demonstrando que vivemos numa democracia de fachada, ameaçando que o que vale, na Frelimo, é a vontade de quem manda e não dos seus associados. No passado, havia gira-discos cuja marca era master voice que traduzido seria a voz do mestre. Quem assim manda dizer é o chefe de Roque Silva que está a mandar recados para avisar a quem esteja a ouvi-lo que não canta qualquer um que se julgue com capacidade para o fazer. Quem está a dizer que nós é que temos que querer e não você dizer eu quero é o chefe. Roque Silva está a repetir o que lhe mandam dizer. Assim aconteceu num passado recente com o bom de Filipe Paúnde a tentar limitar o número de concorrentes e deu-se mal. Agora, é a vez de Roque Silva a tocar a flauta para fazer ecoar a fala do seu soberano, o outro.

Está a ficar cada vez mais claro que Filipe Nyusi não está a se sentir à vontade na medida em que o tempo se vai aproximando do fim do seu mandato, por isso, vai arranjando argumentos que possam justificar a sua permanência para além do período previsto na Lei-Mãe.

Vimos isso com o anterior presidente, Armando Guebuza, a arrastar os pés, tentando impor mais um mandato para além do previsto na Constituição da República, não tendo conseguido alcançar o seu objectivo. Nem mesmo o nome da sua esposa como seu sucessor no poder, como acontece em monarquias medievais, foi acolhido pelos seus próprios camaradas. A lição ficou e o aprendizado jogado para o caixote de lixo porque as manobras de apego ao poder permanecem ainda que seja por outros actores. A essência da luta pelo poder não mudou em quase nada para beneficiar o grupo, a qualquer preço, de qualquer maneira e a intimidação é o modus operandi dos seus agentes. A declaração de Roque Silva é um sinal de que a guerra iniciou e haverá derramamento de sangue tanto dentro como fora da Frelimo. Filipe Nyusi está desesperado. Vai agir como um búfalo ferido que derruba tudo que tiver pela frente.

A teoria apadrinhada por alguns de que Filipe Nyusi não teve tempo suficiente para demonstrar as suas habilidades de governação está a ficar mais esclarecida – a permanência no poder poderá ser um facto evidente, nos próximos dias. As ameaças como quem te disse que você deve querer, poderão subir de tom. Roque Silva já fez o primeiro ensaio e o silêncio dos bons pode indicar de que o terreno é fértil. O passo a seguir será instruir a bancada para avançar com uma proposta de emenda constitucional para acomodar Filipe Nyusi para concorrer para um terceiro mandato, atendendo a que durante os dois mandatos anteriores não teve a oportunidade de implementar o seu programa e acrescido de mais algumas palavras de ocasião pelo meio do barulho. A casa já arrumada, a festa prossegue – dançar e comer à maneira dos antigos egípcios: encher a pança, dançar, descarregar e voltar à mesa. A luta pelo terceiro mandato visa comer, roubar viver bem, ganhar muito dinheiro e não para algo diferente do que se faz hoje.

A bancada maioritária, por sua vez, não hesitará em fazer o trabalho. Às corridas, irá começar com a ladainha de adulação e a beatificação que terminarão com a confirmação e entronização do Santo Filipe das Dívidas Ocultas. Depois de uma eternidade de governação de incompetentes e gatunos, iremos assistir a mais uma caminhada para o martírio que apareceu não ter fim termos que engolir mais um grupo de incapazes que promovem a guerra para levarem a cabo os seus negócios de droga, marfim, madeira, rubis e de gás. A guerra não terminará por ser uma fonte inesgotável de rendimento para os seus promotores. Poderão chorar, vertendo lágrimas, pelo fim da guerra, mas tudo farão para que ela nunca chegue ao fim, se prolongue por muito tempo porque se quisessem que ela parasse tê-lo-iam feito em 2017, quando ela começou, antes de tomarem a jornalistas e investigadores como seus alvos a abater.

Conhecemos imbecis que desejam chegar a Presidente da República, mas nada podemos fazer para os impedir. É o direito que lhes assiste de eleger e ser eleito para qualquer cargo público. Ninguém tem o direito de dizer que quem disse que você deve querer. É um direito que não depende de pessoas como Roque Silva nem o seu chefe, que lhe manda falar besteiras de tamanha magnitude. Conhecemos quem abriu os cofres do Estado para um autêntico assalto, com objectivo de se tornarem nova burguesia nacional e nada podemos fazer para além de alertar ao povo para se cuidar. Conhecemos assassinos quem mandou encarcerar outros cidadãos numa cela, em Montepuez, onde 130 morreramasfixiados. Conhecemos os que vendiam madeira a chineses e, hoje, almejam ser Presidente da República. Sobre eles, vamos dizer ao povo para não confiarem seu voto em larápios nem pintados de santo. Conhecemos quem andou a cantar ter amealhado 30 milhões de dólares de comissão na reversão de HCB.

Imaginemos esses sacanas no posto de comando do país de todos nós: teremos deixado Moçambique entregue a ladrões, assassinos e a oportunistas. Temos a obrigação de construirmos um país melhor para as gerações futuras. Não podemos deixar um país escangalhado, lixado, vazio e cheio de crateras. Não podemos permitir que o nosso país, cheio de recursos naturais, viva de mãos estendidas à caridade internacional. Isso é uma vergonha. Aqui, a culpa sempre será nossa. Não é do colonialismo e muito menos ainda foi dos regimes minoritários e racistas que nos cercavam naqueles momentos.

Porém, há gente que nunca roubou nada a ninguém nem nunca mandou assassinar seus compatriotas. Temos gente inteligente, íntegra, habilidosa, honesta e preocupada com o futuro do nosso país. Chamamos pela voz e nação dos bons, que ainda existem em todos os partidos políticos e na sociedade civil, em geral para, juntos, salvarmos o nosso Moçambique da corja de bandidos, assassinos e tribalistas! Todos juntos podemos fazer a diferença, levantarmos o nosso país, livrarmo-nos de carraças e dos chupa-sangue!

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