Os esquadrões da morte estão de volta: Desconhecidos atiram duas munições de AK-47 para o quintal de Adriano Nuvunga

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Maputo (Canalmoz) Adriano Nuvunga, um dos mais destacados activistas sociais em Moçambique e docente universitário, acordou com duas munições de uma arma AK-47 no quintal da sua residência, na cidade de Maputo. Os projécteis foram atirados para o quintal da residência de Adriano Nuvunga (que é director executivo do Centro para Democracia e Desenvolvimento e presidente da Rede Moçambicana dos Defensores dos Direitos Humanos)durante a madrugada de ontem, segunda-feira, 15 de Agosto, presumivelmente cerca das 5h00. As autoridades já foram notificadas. O Serviço Nacional de Investigação Criminal esteve na residência de Adriano Nuvunga e recolheu os projécteis. Através das câmaras de vigilância montadas na rua é possível ver o momento em que as pessoas atiravam os projécteis, que estavam embrulhados parcialmente em papel branco, com escrita não decifrávelna íntegra, mas em que uma das frases diz “CUIDADO NUVUNGA”.

Já há uma onda de solidariedade para com Adriano Nuvunga. O “Canalmoz” teve acesso a um documento subscrito por várias organizações não-governamentais condenando o acto macabro e exigindo justiça.

“Tomámos conhecimento, com grande preocupação, do acto macabro e cobarde de ameaça à integridade física do activista social Adriano Nuvunga, director do Centro para a Democracia e Desenvolvimento e presidente da Rede Moçambicana de Defensores dos Direitos Humanos”, lê-se num documento a cuja cópia o “Canalmoz” teve acesso, que diz que os indivíduos desconhecidos atiraram para o quintal da residência de Adriano Nuvunga dois projécteis, posteriormente identificados por agentes do Serviço Nacional de Investigação Criminal como sendo munições de arma de guerra AK 47.

Segundo a mesma nota, os projécteis foram atirados para a porta de entrada da residência de Adriano Nuvunga quando ele ainda estava a dormir, presumivelmente cerca das 5h00 da manhã.

“Os projécteis estavam parcialmente embrulhados em papel branco com escritas não possíveis de decifrar na íntegra,mas em que uma das frases diz ‘CUIDADO NUVUNGA’”, pode ler-se no documento.

Adriano Nuvunga tem estado a dirigir importantes campanhas que estão a incomodar o regime. Neste momento, está a trabalhar numa campanha de advocacia com vista à elaboração e aprovação de uma Lei de Acção Popular e Salvaguarda do Direito à Manifestação. Em Moçambique, manifestar-se está a parecer uma actividade ilegal ou criminosa. Apenas os órgãos sociais da Frelimo podem fazer desfiles em saudação ao presidente deste partido, que é também Presidente da República.

Através do Centro para a Democracia e Desenvolvimento, Adriano Nuvunga está também a trabalhar na campanha “Não às portagens”, na sequência da instalação de praças de portagens na Estrada Circular de Maputo e em outros pontos do país.

Adriano Nuvunga, enquanto coordenador do Fórum de Monitoria do Orçamento, está também a trabalhar para evitar que Manuel Chang, ex-ministro das Finanças, seja extraditado para os Estados Unidos da América, onde é esperado para responder por crimes financeiros relacionados com o escândalo das dívidas ocultas. No ano passado, o Fórum de Monitoria do Orçamento travou a vinda de Chang para Moçambique quando este já se encontrava na porta do avião. O Fórum de Monitoria do Orçamento tem afirmado que, em Moçambique, não há garantia de que Manuel Chang seja submetido a um julgamento sério.

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