“A nossa estratégia assentava em três eixos. O primeiro era Inteligência preventiva profunda. Quando detectámos imigração em massa, movimentações anómalas e padrões de risco, aumentámos a nossa capacidade, recrutando sangue novo, expandindo redes de informação e cruzando dados económicos, sociais e de segurança. O terrorismo deixa rastos antes de se manifestar. Nós estávamos a segui-los.” – António Carlos do Rosário.
Maputo (Canalmoz) – O ex-director da Inteligência Económica do Serviço de Informação e Segurança do Estado, António Carlos do Rosário, disse, numa entrevista ao “Canal de Moçambique”, que a guerra em Cabo Delgado é parte da sabotagem que foi feita ao Sistema Integrado de Monitoria e Protecção, de que era mentor e principal coordenador.
“Há uma ligação clara e directa, não no sentido simplista de uma causa única, mas no sentido estratégico, sistémico e operacional. A EMATUM, a ‘Proindicus’ e a “Mozambique Asset Management” (MAM) não eram empresas isoladas. As três, em conjunto, formavam a espinha dorsal infraestrutural, tecnológica e operacional do Sistema Integrado de Monitoria e Protecção costeira. Cada uma cumpria uma função complementar: plataformas, embarcações, manutenção, centros de comando, logística, formação, integração de sistemas, vigilância e resposta. Quando essas três empresas foram politicamente problematizadas, financeiramente asfixiadas e depois desmanteladas, o Estado moçambicano perdeu de uma só vez a sua capacidade efectiva de vigiar, controlar e proteger a costa norte, a Zona Económica Exclusiva e os corredores marítimos estratégicos”, afirmou.
E disse que Cabo Delgado é uma província costeira e que o terrorismo que ali se instalou depende de rotas marítimas, desembarques clandestinos, tráfico de armas, combustível, homens armados e dinheiro.
“Sem a EMATUM, a ‘Proindicus’ e a MAM operacionais essas rotas ficaram abertas. Portanto, a sabotagem das três empresas criou o vazio logístico, tecnológico e operacional que permitiu aos insurgentes consolidarem a sua presença, abastecimento e mobilidade. Não foi coincidência que a violência tenha escalado depois do colapso do sistema. Quem desmonta a arquitectura de controlo do mar abre caminho para que outros passem a controlar a terra”, disse.
Quando foi questionado sobre se, no caso em que ainda estivesse no comando do SISE, teria contido ou erradicado o terrorismo em Cabo Delgado e qual teria sido a estratégia, respondeu que, se o SISE tivesse mantido as suas capacidades estratégicas, operacionais e económicas, o terrorismo em Cabo Delgado não teria evoluído como evoluiu.Ler mais na versão PDF, mediante subscrição.















