Maputo(Canalmoz) – Uma estrada de alcatrão está a ser aberta em plena zona costeira da praia, no posto administrativo de Chocas Mar, distrito de mussoril, província de Nampula. A estradas está atravessando dunas primárias e vegetação costeira sensível, que funcionam como barreira natural de protecção contra a erosão marinha, numa área onde a circulação de viaturas é expressamente proibida por normas ambientais e de ordenamento territorial.
Segundo os moradores locais a obra é atribuída a um empresário com ligações políticas, conhecido por Faizal, que tem sido visto a liderar as operações levanta sérias suspeitas de ilegalidade e expõe, mais uma vez, a alarmante passividade das autoridades responsáveis pela fiscalização ambiental.
No local, é visível a destruição de formações dunares, consideradas ecossistemas sensíveis e fundamentais para a protecção da linha de costa. Máquinas pesadas roncam e circulam dia e noite sobre as dunas, movimentando e compactando o solo, destruindo a vegetação costeira e alterando de forma irreversível a dinámica natural da praia, sem qualquer sinal público de licenciamento ambiental, placa de obra ou informação sobre a entidade executora.
Em conversa com o Canalmoz vários residentes,explicaram que a construção decorre há dias sem qualquer interrupção, apesar de repetidas manifestações de preocupação e gritos de socorro por parte da população. “Aqui sempre foi proibido andar de carro, mas já estão a fazer estrada de alcatrão e não sabemos querem ir para onde com esta estrada porque ali só tem água. Isto vai trazer problemas, aquela água vai encontrar caminho para ir para nossas casas. Vocês próprios estão a ver sozinhos e ninguém aparece para travar isto. Assim não está bem”, disse um morador.
Segundo testemunhas a estrada contrasta com o acesso arenoso que contorna o mangal, conhecido como viveiro natural para a reprodução de camarão, levantando suspeitas de apropriação informal de espaço público e de favorecimento de interesses particulares em detrimento do património ambiental colectivo e da sobrevivência da comunidade local. Apesar da gravidade das intervenções, nenhuma entidade de fiscalização foi vista no local. Nem serviços distritais do ambiente, nem autoridades municipais, nem polícia costeira.Ler mais na versão PDF, mediante subscrição.















