Maputo (Canalmoz) – As principais estradas asfaltadas da província de Cabo Delgado enfrentam um processo acelerado de degradação, com o aumento significativo de buracos que se agravam a cada dia de chuva. A via que liga Pemba a Montepuez, considerada uma das mais estratégicas da região por ligar as duas maiores cidades da província, está entre as mais afectadas, apresentando crateras profundas que dificultam a circulação e aumentam o risco de acidentes.
O percurso de aproximadamente de 200 quilómetros, que antes era feito em menos de duas horas, passou a durar até oito horas, segundo dizem os automobilistas.
Situação semelhante é relatada na rota Pemba-Macomia e noutras ligações distritais. Condutores e passageiros descrevem viagens marcadas por atrasos, avarias constantes e prejuízos mecânicos. Todos apelam a uma intervenção urgente das autoridades para evitar que as vias se tornem completamente intransitáveis, comprometendo a mobilidade de pessoas e bens na província.
Na sua aparição pública mais recente, o governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, surgiu a delegar o dever de construir infra-estruturas viárias a outras entidades responsáveis pela execução dos planos.
Valige Tauabo referiu a asfaltagem do troço Namuno-Montepuez numa acção que soou mais a discurso político do que ao início efectivo de uma obra há muito prometida e sucessivamente adiada há quase uma década.
Ao longo dos anos, limitaram-se a anunciar fundos atribuídos, mas a estrada nunca foi reabilitada nem construída de raiz como seria necessário.
A empreitada, tantas vezes reclamada pela população parece ter sido deixada nas mãos da ANE, que tapa buracos a troco de 5 ou 10 meticais, enquanto milhões são anunciados para intervenções que a primeira chuva se encarrega de desfazer quando chegam a ser feitas efectivamente.
Após a publicação da reportagem “Distritos ricos em minerais, estradas pobres em dignidade”, que denunciava o colapso da estrada Namuno-Montepuez e o aumento do transporte de 200,00 para 500,00 meticais, surgiram reacções das autoridades locais e provinciais.
A estrada, com menos de 100 quilómetros, encontra-se severamente degradada, sobretudo no troço de Mahurussi, onde a chuva intensa agravou a situação. Em vários pontos, viaturas ligeiras enfrentam enormes dificuldades para atravessar, obrigando passageiros a dividir a viagem em dois transportes. O custo total passou a atingir 500,00 meticais, penalizando residentes, comerciantes e doentes que dependem diariamente daquela ligação.Ler mais na versão PDF, mediante subscrição.















