Maputo (Canalmoz) – Um grupo de 250 ex-operários contratados em 2019 para a reabilitação da linha férrea Beira-Machipanda acusa António Bié, director executivo centro da empresa Portos e Caminhos de Ferro de ter ordenado a detenção de trinta ex-trabalhadores para não embaraçar o Presidente da República, Daniel Chapo, durante a cerimónia de inauguração da Escola Básica do Esturro, na cidade da Beira, na semana passada.
Afirmam que o grupo foi recrutado pelo CFM-Centro, em 2019, no distrito do Dondo, na província de Sofala, para a reabilitação da linha Beira-Machipanda, que só terminou em 2024. Mas a Direcção dos CFM Centro, por recear que podiam furar o protocolo e entregar as reclamações, mandou prender trinta.
“Durante o período 2019-2024, trabalhámos nos CFM em regime de contrato. Não foram pagos subsídios, nem horas extras, com promessas de que os trabalhadores entrariam no quadro dos CFM. Como nunca nos enquadraram, pedimos para que pagassem as horas extras, mesmo assim negaram. Fizemos uma carta-exposição ao Presidente da República, Daniel Chapo. Ele respondeu que ia resolver com o envio de uma equipa à Beira. Em insistência, em Setembro do ano passado, disse que não tinha resposta”, afirmou Jorge Levecene, um dos ex-trabalhadores que procurou o “Canalmoz” para denunciar estes factos.
Acrescentou que, por saber da viagem do Presidente da República à Beira, organizou-se uma exposição para lhe entregar, mas a Direcção dos Caminhos de Ferro considerou que se iria criar um embaraço e optou por mandar prender os ex-trabalhadores.
“Ainda temos três colegas detidos. Trata-se de Alberto Sabão, representante do grupo, Felizberto Gimo e Nelson Roda. Antes estavam no posto do Serviço Nacional de Investigação Criminal no Esturro. Depois foram transferidos para a 5,ª Esquadra. Não têm direito a visita”, disse.Ler mais na versão PDF, mediante subscrição.















