Maputo(Canalmoz) – Nas últimas duas semanas, consumidores da rede pública, na cidade de Maputo, relataram o aparecimento de água com coloração acastanhada, odor desagradável e presença visível de resíduos. A situação, longe de ser inédita, reacende o debate sobre a qualidade do serviço prestado e os riscos associados à saúde pública, sobretudo num contexto em que doenças de origem hídrica continuam entre as principais causas de atendimento nas Unidades Sanitárias do país.
O Observatório do Cidadão para Saúde afirmou: “O fornecimento de água turva em Maputo não pode continuar a ser tratado como um problema técnico pontual causado por factores climáticos. Trata-se, cada vez mais claramente, de um problema de governação, gestão e regulação no sector”.
A análise diz que a persistência do fenómeno reflecte falhas profundas na capacidade de resposta institucional.
A “Águas de Moçambique” confirmou a ocorrência e atribuiu o problema à chuva intensa que afectou a Estação de Tratamento de Água do Umbelúzi. Ainda assim, esta justificação tem sido recebida com cepticismo por vários sectores da sociedade.
O Observatório do Cidadão para Saúde, afirmou: “Maputo tem sido, nos últimos anos, sistematicamente afectada por chuvas intensas e inundações. Estes eventos deixaram de ser excepcionais para se tornarem previsíveis e, portanto, devem ser incorporados no planeamento, investimento e gestão operacional das infraestruturas de abastecimento de água”.
O Observatório do Cidadão para Saúde acrescentou: “A recorrência do problema sugere não é um evento inesperado, mas, sim, uma falha de antecipação, resiliência e gestão de risco”.
Apesar da afirmação da “Águas de Moçambique” de que a qualidade está um pouco ameaçada, mas a água é própria para o consumo, a percepção dos consumidores conta uma realidade distinta. Em vários bairros da capital, famílias afirmam ter deixado de consumir água da rede pública, recorrendo a fontes alternativas ou limitando a actividades domésticas o uso da água fornecida.
O Observatório do Cidadão para Saúde afirmou: “A perda de confiança dos cidadãos é, por si só, um indicador crítico de falha no serviço público, alertando ainda para relatos de casos de diarreia, sobretudo em crianças, potencialmente associados ao consumo da água”.















