A exploração de areias pesadas pela empresa chinesa está a afectar machambas da população. Apadrinhados pelo governo local, os chineses querem “indemnizar” a cada família com um valor de 5 mil meticais
Maputo (Canalmoz) – Nem a chuva, nem as temperaturas baixas que fustigaram a zona sul do país, impediram a população das comunidades de Mudumeia, Mutsicuane, Mabecuane e Savene, distrito de Chibuto, província de Gaza, de realizar uma marcha pacífica que partiu da “Praça dos Heróis” até à administração, onde se fez a entrega do caderno reivindicativo a administradora, Alcinda Banze.
A marcha que teve lugar na quinta-feira da semana passada, 13 de Agosto, foi organizada pela população das comunidades cujas terras foram expropriadas pela mineradora chinesa “Dingsheng”, que está a explorar as areias pesadas de Chibuto.
O Comando Distrital de Chibuto, tinha recebido ordens no dia anterior à marcha para nas primeiras horas controlar aglomerados de pessoas em toda cidade de Chibuto e barrar qualquer movimentação dos contestatários, em direção à administração. E, se estes recusassem a acatar as ordens da polícia, devia-se recorrer ao uso da força para dispersar os manifestantes, mas o plano policial seria abortado, pois, a comandante sentindo-se pressionada pelos organizadores que exigiam a resposta do pedido de autorização da marcha submetido no dia 6 de Agosto corrente, exarou um despacho a autorizar. E inclusive, mandou uma viatura com uma polícia mista para fazer o acompanhamento.
Com dísticos em punho com dizeres como: “Não estamos em luta com o governo, nem com a Dingsheng”; “Exigimos os nossos direitos”; “Quem entregou as nossas terras é o governo”; “Não negamos, o desenvolvimento”; “Exigimos compensações justas”, os manifestantes saíram da praça, marcharam até à administração. Uma comissão constituída por membros da comunidade entrou na administração para depositar o caderno reivindicativo, enquanto a população cantava do lado de fora.Ler mais na versão PDF, mediante subscrição.















