Quarenta e seis por cento dos jovens no país prefere criar o próprio negócio
Maputo (Canalmoz) – A falta de emprego continua a ser um dos desafios enfrentados pelos jovens em Moçambique, num contexto em que uma parte significativa procura oportunidades de trabalho e outra considera o empreendedorismo uma alternativa.
Dados de um inquérito do Afrobarómetro, Ronda 10, indicam que 46% dos inquiridos preferem criar o próprio negócio, enquanto 31% optam por trabalhar no sector público e 13% numa empresa privada.
Dados de um inquérito realizado no país indicam que 65% dos jovens dos 18 aos 35 anos estão sem emprego e à procura de trabalho. A falta de formação e de experiência profissional está entre os principais obstáculos à inserção no mercado laboral
Os resultados foram divulgados, ontem, quinta, 29 de Outubro, pela “YoungColor Moçambique”, com base num estudo realizado pela “CS Research”, que ouviu 1.200 adultos entre Julho e Setembro de 2025.
Segundo os dados apresentados, 65% dos jovens com idades entre os 18 e os 35 anos afirmam estar sem emprego e à procura de trabalho. Outros 21% encontram-se desempregados, mas não estão à procura de uma oportunidade profissional.
A preferência pelo empreendedorismo surge num contexto em que o acesso ao mercado de trabalho é condicionado por diferentes factores. Entre os inquiridos, 30% apontam a falta de formação como um dos principais impedimentos à obtenção de emprego, enquanto 19% referem a falta de experiência profissional exigida pelas empresas.
Os dados revelam ainda que 51% dos participantes defendem que a criação de emprego deve ser uma prioridade na despesa pública destinada aos jovens. Outros 20% apontam o acesso ao crédito para pequenos negócios, enquanto 8% defendem maior investimento na formação profissional.
Apesar da preferência manifestada pela criação do próprio negócio, os resultados apresentados não indicam quantos jovens dispõem de recursos financeiros ou de condições para concretizar essa intenção, numa realidade em que o acesso ao crédito e a formação continuam a constituir desafios.
“Por trás de cada número há um jovem com vontade de construir o seu futuro. Muitos querem ser donos do seu próprio negócio e, para quem comunica, isso muda a forma de falar com eles”, afirmou Nair Bastos, directora de Operações da YoungColor Moçambique.
Acrescentou que a publicação pretende aproximar os dados das decisões tomadas pelas organizações e pelos profissionais de comunicação. “A Lupa da YoungColor Moçambique existe para trazer estes números para as decisões do dia-a-dia, de forma simples e acessível”, disse
A publicação, que terá periodicidade semanal, pretende apresentar estudos e tendências relacionados com o contexto moçambicano, incluindo dados estatísticos, gráficos e análises sobre as suas implicações para o sector da comunicação. (Joana da Lúcia).















