A “Maputização” das oportunidades é um tema profundo na economia e desenvolvimento de Moçambique. Vários projectos são decididos em Maputo deixando de fora as províncias onde os recursos estão. As províncias têm que se contentar com migalhas…
Maputo (Canalmoz) – Empresários e Fórum das Organizações da Sociedade Civil acusam o governo de excluir a província de Cabo Delgado na formação de 260 jovens selecionados para a Academia do consórcio Gás Natural Liquefeito (Mozambique LNG). A formação será no Instituto Industrial e Comercial da Matola, província de Maputo, numa parceria entre o Ministério da Educação e Cultura e a “TotalEnergies”. Esta situação está a provocar uma forte onda de contestação.
O presidente do Conselho Empresarial Provincial de Cabo Delgado (CEP-CD) (Mamudo Irache, disse no sábado passado, dia 1 de Agosto, em conferência de imprensa que a decisão representa mais um capítulo da histórica marginalização da região Norte em matéria de investimento público e formação técnico-profissional.
“As formações profissionais ligadas ao petróleo e gás estão todas centralizadas na Matola. A província de Cabo Delgado não tem sequer uma. Perguntamos: o que ganha Cabo Delgado com esta decisão? Ganha o quê?”, questionou.
Segundo Irache, a construção do centro de formação na província onde decorrem as operações do projeto Mozambique LNG teria impactos muito mais abrangentes do que apenas a capacitação dos futuros técnicos.
“Só a construção do instituto já seria uma oportunidade para os empresários locais fornecerem bens e serviços. Os professores seriam contratados aqui, os hotéis receberiam os formandos, os restaurantes, os transportadores e toda a economia local beneficiária. Para nós, esta decisão representa uma exclusão económica total da província de Cabo Delgado”.Ler mais na versão PDF, mediante subscrição.















