Cerca de 56 % das mulheres atendidas estão na faixa etária dos 15 à 24 anos de idade
Maputo (Canalmoz) – Um total de 182.865 mulheres foi atendido no âmbito dos cuidados sobre o aborto em quatro províncias do país, sendo 98.668 casos de aborto induzido e 84.197 de cuidados pós-aborto. Estes dados foram apresentados pela Organização IPAS Moçambique, durante o encerramento de um projecto de reforço dos serviços de saúde sexual e reprodutiva referente aos últimos dez anos.
Do total de mulheres atendidas, 143.419, correspondentes a 78,4%, saíram das unidades sanitárias com um método contraceptivo moderno, enquanto os restantes casos não receberam esse tipo de método no momento do atendimento.
Acrescentou que os dados mostram uma presença expressiva de adolescentes e jovens entre as mulheres atendidas nas quatro províncias. No conjunto dos dados de Nampula, Zambézia, Cabo Delgado e Niassa, 27% dos casos correspondem a mulheres dos 15 aos 19 anos, 29% às mulheres dos 20 aos 24 anos e 42% às mulheres com 25 ou mais anos. Os menores de 15 anos representam 2% dos casos.
A distribuição apresenta diferenças entre as províncias. Em Nampula, 29% dos casos correspondem a mulheres dos 15 aos 19 anos, 29% às de 20 aos 24 anos e 44% às de 25 ou mais anos.
Na Zambézia, as mulheres dos 15 aos 19 anos representam 30% dos casos, as de 20 aos 24 anos correspondem igualmente a 30% e as de 25 ou mais anos representam 39%. As menores de 15 anos correspondem a 1%. Em Cabo Delgado, 14% dos casos envolvem menores de 15 anos, 30% mulheres dos 15 aos 19 anos, 28% mulheres dos 20 aos 24 anos e 28% mulheres com 25 ou mais anos.
Já em Niassa, 5% dos casos correspondem a menores de 15 anos, 30% a mulheres dos 15 aos 19 anos, 26% às de 20 aos 24 anos e 39% às mulheres com 25 ou mais anos.
A informação foi apresentada na sexta-feira gestora de programas do IPAS, Nádia Macarringue durante o encerramento do projecto, que incidiu particularmente sobre Nampula, Zambézia, Cabo Delgado e Niassa.
Na ocasião, a directora do planeamento familiar no Ministério de Saúde, Alda Mahumane explicou que, antes da intervenção, cerca de 73% das mulheres em idade reprodutiva não tinham conhecimento da existência destes serviços nas unidades sanitárias. A directora disse que dados referentes a 2022/2023, indicam que 15,1% das mulheres em idade reprodutiva declaravam conhecer o aborto seguro enquanto serviço de saúde previsto por lei.
“Há uma necessidade de trazer esta informação primeiro ao nível das comunidades. Não é promoção do aborto, mas sim para podermos reduzir o recurso aos abortos clandestinos. Nós precisamos que a mulher saiba onde encontrar o serviço, quais são os serviços que estão disponíveis e que tenha informação suficiente para procurar uma unidade sanitária e receber o atendimento adequado”, disse Alda Mahumane.Ler mais na versão PDF, mediante subscrição.















