O representante da CTA em Cabo Delgado questionou porquê que o centro de formação de LNG e todo o processo de recutamento deve estar em Maputo e não no local onde estão os recursos. Num comunicado, emitido em Maputo, a CTA apoia a decisão do Governo e diz que que as declarações do seu representate de Cabo Delgado, no âmbito da defesa das preocupações e interesses empresariais da província, não constituem a posição institucional da CTA.
Maputo (Canalmoz) – A Confederação das Associações Económicas (CTA) decidiu apoiar o Governo na polémica decisão de instalar em Maputo, o centro de formação de LNG.
Os empresários e naturais de Cabo Delgado questionaram as razões que nortearam a decisão do Governo e Total de instalar a academia técnica de LNG em Maputo (Matola) e não no lugar onde esses projectos estão implantados como forma de desenvolver também esses locais.
Apesar das explicações, o posicionamento do Governo continua a não convencer parte dos empresários, organizações da sociedade civil e jovens de Cabo Delgado, que defendem que a província, onde decorre o projeto Mozambique LNG, deveria beneficiar diretamente de investimentos estruturantes desta natureza.
Representantes do sector privado argumentam que a instalação da academia em Pemba ou Palma teria criado emprego durante a construção, dinamizado hotéis, restaurantes, empresas de transporte e fornecedores locais, além de fortalecer as instituições técnicas da província.
Entre muitos jovens persiste também o receio de que a concentração dos principais investimentos ligados ao gás noutras regiões do país aprofunde o sentimento de exclusão económica numa província que, desde 2017, enfrenta uma insurgência armada e elevados níveis de desemprego. Embora especialistas considerem que a criação de oportunidades económicas pode contribuir para reduzir fatores de vulnerabilidade ao recrutamento por grupos armados, não existe evidência de uma relação direta entre esta decisão específica e o recrutamento para a insurgência.
A CTA veio, esta segunda-feira, posicionar-se do lado do Governo e até se afastou dos empresários de Cabo Delgado, indicando que as declarações que foram proferidas pelo Presidente do Conselho Empresarial Provincial (CEP) de Cabo Delgado, no âmbito da defesa das preocupações e interesses empresariais da província, “não constituem uma posição institucional da CTA”.
A partir de Maputo, a CTA veio com uma justificação esfarrapada a tentar justificar a política de exclusão. Para a CTA questionar porquê que o centro de formação não está em Cabo Delgado, uma pergunta legítima, cai no campo do tribalismo. “A discussão sobre a localização dos centros de formação não deve ser forçosamente arrastada para o campo de tribalismo, devendo antes basear-se em critérios técnicos, financeiros e de mérito”.Ler mais na versão PDF, mediante subscrição.















